E com vocês o “Produção Nerdalhão” novo espaço do conteúdo Nerdalhão, onde, de vez em quando, eu me meto a criar uma ideia para um filme que não existe — mas que bem poderia emocionar plateias do país inteiro. E a inspiração da vez veio de uma das músicas mais emblemáticas da MPB: Pai, de Fábio Jr.
Alguns sucessos das rádios dos anos 70/80 no Brasil nasceram da genialidade e alegria de grandes autores, mas no caso da canção Pai, a melodia e a letra carregam muito mais do que inspiração: são o retrato fiel de uma relação intensa, marcada por amor, conflitos e silêncios que nunca deveriam ter existido.
A história começa em um momento delicado: a separação dos pais de Fábio Jr. Ainda jovem, ele se viu no centro de tensões familiares, tendo que dividir seu coração entre o pai e a mãe. O amor por Antônio Galvão era enorme, mas as circunstâncias o obrigavam a viver encontros escondidos, já que sua mãe, Dona Nilva, não aprovava a aproximação do cantor com seu pai num modesto hotel da Vila Madalena, em São Paulo. Cada visita furtiva era uma mistura de felicidade e culpa, de presença e ausência.
Esse distanciamento era alimentado também por visões diferentes sobre o futuro do filho. Antônio acreditava na vocação artística de Fábio e o incentivava a perseguir o estrelato, ainda que fosse um caminho incerto. Já Nilva Corrêa — pianista talentosa, porém mais rigorosa e de pés no chão — preferia que ele tivesse uma vida estável e garantida, temendo que o sucesso nunca chegasse. Essa divergência de sonhos foi um dos fatores que contribuíram para a separação do casal.
Mas, ao menos, Antônio pôde ver o tão desejado sucesso começando a se concretizar. Quando a carreira de Fábio Jr. despontou — como ator, galã e cantor talentoso — ele teve a chance de testemunhar que distribuir fitas por rádios e gravadoras da cidade estava dando frutos.
O golpe mais duro do destino, porém, viria quando Fábio tinha 26 anos. Antônio, então com 52, trabalhando como taxista, foi assassinado durante um assalto. De repente, todas aquelas palavras não ditas se tornaram definitivas. Não haveria mais encontros, nem abraços atrasados. A ausência passou a ser para sempre.
Foi nesse vazio que Pai, lançada em 1978, encontrou seu tom definitivo. Mais do que uma homenagem, a canção se tornou um grito silencioso de amor e dor, um registro eterno do vínculo entre pai e filho que nem a violência pôde apagar.
No meu filme imaginário, o recorte de tempo mostraria não apenas essa ferida íntima, mas também o auge da juventude e do estrelato de Fábio Jr., evidenciando como a vida pública e a dor privada se cruzaram. Uma obra para emocionar e refletir, embalada por uma trilha sonora que já é parte do coração brasileiro.
💡 Elenco dos sonhos:
Danilo Mesquita como Fábio Jr.

Anderson Di Rizzi como Antônio Galvão

Cris Amorin como Nilva Corrêa

Porque Pai não é só uma música. É um legado. Uma ponte entre o que foi vivido e o que ainda sentimos. E, quem sabe um dia, também um filme que retrate esta linda história de Fábio Jr.
— 🎥 Nerdalhão, Celo Franco



