Os donos do mais do mesmo

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Na minha opinião a série tem ímpeto mas falta criatividade e coragem para abordar o universo que cria. Talvez inspirado no conteúdo documental que foi criado no Globoplay, os criadores de Os Donos do Jogo revisitam modelos de narrativa de produções recentes e bem sucedidas sobre a criminalidade no Rio.

Atores conhecidos que entregam seus personagens com muito profissionalismo e já conhecidos estereótipos com destaque, neste sentido, para Xamã que assume o papel para o qual foi escolhido: Búfalo, um ex lutador bruto que tenta se firmar em importante lugar na cúpula dos jogos do bicho.

A trajetória do “herói” (com plena consciência de que se trata de um personagem galgando seu espaço por meio de crimes contra seus opositores) fica por conta de Profeta, interpretado com entrega e coragem pelo ator André Lamoglia. Ele se encaixa bem no gênero e forma uma dupla de química intensa e explosiva com Mel Maia no papel de Mirna Guerra, uma das irmãs herdeiras de um dos troncos da cúpula da jogatina no Rio.

Apesar desse contexto promissor, previsibilidades e situações que revelam uma certa preguiça de roteiro tornam decepcionantes alguns desfechos da trama até o final, forçado pela própria dinâmica da história, mas que se resolve deixando os protagonistas em vantagem e abrindo portas para a segunda temporada. Um spoiler leve que ilustra meu ponto: para acompanhar e confirmar uma importante transação, uma personagem está de jetski perto da mansão de onde o negócio ocorreria e, por alguma razão inexplicável, os negociadores decidem concluir a troca de dinheiro por mercadorias ali, à beira do lago, exposta a qualquer pessoa, polícia, curioso ou adversária, e confirmam o golpe que será dado logo em seguida.

A fotografia, a construção dos personagens secundários e algumas referências a outras produções são interessantes e ajudam a manter o interesse pela série até o fim. Desde Goodfellas, até Missão Impossível, 007 e Seven: Os Sete Pecados Capitais, além de Cidade de Deus e BOPE, estão entre as influências que consegui identificar.

Acredito que vale a pena assistir Os Donos do Jogo por se tratar de um belo “efeito colateral” da onda de séries sobre o submundo do crime no Brasil, mesmo com falhas e falta de originalidade, que muitas vezes transformam os fatos e relações dos personagens em algo previsível. Combine com amigos fãs do gênero para uma maratona numa tarde de domingo. Se assistir um episódio por vez durante dias, talvez se canse e desanime no meio do caminho.

Os Donos do Jogo pode ir muito além. Fiquei curioso por um personagem que aparece no penúltimo episódio, claramente para indicar que haverá segunda temporada. Com mais ousadia e surpresas realmente bem construídas desta vez, espero que surpreenda.

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