Imagens de satélite registradas durante o verão 2024/2025 revelaram contrastes extremos de temperatura entre favelas e bairros vizinhos na capital paulista. O levantamento, realizado pelo Centro de Estudos da Favela (CEFAVELA), ligado à UFABC e apoiado pela FAPESP, identificou diferenças de até 15 °C entre áreas separadas por poucas quadras.
Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o Morumbi registrou temperaturas médias próximas de 30 °C nas superfícies analisadas, enquanto Paraisópolis, localizada ao lado, chegou a 45 °C. Em Heliópolis, uma das maiores favelas do país, os valores passaram de 44 °C nos dias mais quentes.
O estudo utilizou 19 imagens termais do satélite Landsat 8, que medem a temperatura de superfícies — portanto, apresentam valores mais elevados do que a temperatura do ar tradicionalmente registrada por estações meteorológicas.
Calor extremo atinge comunidades mais densas
A análise mostra que, embora as favelas ocupem apenas 4% do território paulistano, elas concentram mais de 1,7 milhão de habitantes — cerca de 15% da população. Nesses territórios, pisos, telhados e ruas frequentemente ultrapassam 40 °C, especialmente em locais com pouca vegetação.
As áreas mais quentes do verão 2025 foram registradas no Capão Redondo, zona sudoeste da capital. Quatro das dez favelas com temperaturas mais altas estavam no distrito:
- Jardim Capelinha/Nuno Rolando – 47,4 °C
- Jardim D’Abril II – 47,3 °C
- Basílio Teles – 47,2 °C
Na outra ponta, comunidades próximas a represas apresentaram condições mais amenas. O Jardim Apurá, próximo à Billings, registrou 23,7 °C, enquanto o Alto da Riviera B/Jardim Guanguará, na região da Guarapiranga, chegou a 23,6 °C.
Mapeamento reforça desigualdade térmica na cidade
Os dados evidenciam que a temperatura em São Paulo varia fortemente conforme a forma de ocupação do solo. Áreas densas, com poucas árvores e muitos telhados metálicos, atingem valores extremos, enquanto regiões com parques, corredores verdes ou proximidade de corpos d’água apresentam condições mais favoráveis.
O estudo integra um esforço contínuo para monitorar a relação entre urbanização e calor em grandes cidades e disponibiliza um mapa interativo com os registros do verão 2025.


