O Fórum sobre Informação e Democracia divulgou no dia 12 de fevereiro um relatório internacional com dez prioridades para enfrentar a desinformação sobre mudança do clima e meio ambiente e reforçar a integridade da informação no debate público.
O documento é resultado do Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente, copresidido pelos governos do Brasil e da Armênia ao longo dos últimos 12 meses.
Medidas práticas para os governos
O relatório apresenta ações concretas que podem ser adotadas pelos Estados, entre elas:
- Reforma da publicidade digital para impedir a monetização da desinformação ambiental
- Proteção de jornalistas e defensores ambientais
- Inclusão da integridade da informação nas políticas de governança climática
- Maior transparência e responsabilização das plataformas digitais
Segundo Camille Grenier, diretor-executivo do Fórum, a desinformação climática tem sido usada para fins políticos e representa uma ameaça crescente à ação ambiental.
Contexto internacional
O grupo reuniu quase 100 formuladores de políticas públicas, pesquisadores e especialistas de 30 países. Os primeiros resultados foram apresentados durante a COP30, realizada em Belém (PA), quando os países participantes endossaram a Declaração de Belém sobre Integridade da Informação Climática.
O relatório também contribui para a Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, liderada pelo Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a UNESCO.
Principais recomendações
Entre as dez recomendações destacadas no documento estão:
- Incorporar a integridade da informação nas políticas climáticas e ambientais.
- Reformar a publicidade digital para interromper incentivos econômicos à desinformação.
- Combater o “greenwashing” e regular alegações ambientais.
- Proteger jornalistas ambientais e fortalecer a imprensa.
- Responsabilizar plataformas digitais por seus sistemas e algoritmos.
- Reforçar a comunicação científica e a integridade dos dados.
- Ampliar a educação ambiental e midiática.
- Expandir pesquisas sobre desinformação e operações de influência.
- Fortalecer a coordenação internacional.
- Desenvolver capacidades institucionais para enfrentar o problema de forma estruturada.
A implementação já começou em países como Brasil, Armênia, Bélgica e França. O Fórum prevê a publicação de um novo relatório em 2026.
O documento destaca que o combate à desinformação é condição essencial para a eficácia das políticas climáticas e para o fortalecimento da democracia em escala global.


