Operação Última Fase desarticulou organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos. Wanderlan de Sousa, Thyago de Andrade e Laís Araújo foram presos
A Polícia Federal prendeu três pessoas na Operação Última Fase, deflagrada quinta-feira (2), para desarticular organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos. Foram presos Wanderlan de Sousa, Thyago de Andrade e Laís Araújo, apontados como lideranças do grupo.
A investigação apura fraudes no Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2024 e em certames das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, Universidade Federal da Paraíba, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas, além de medidas cautelares incluindo afastamento de cargos públicos e sequestro de bens. Pelo menos 16 candidatos já foram identificados como participantes diretos do esquema.
Segundo a PF, candidatos pagavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para serem aprovados fraudulentamente. Mensagens revelaram que para o concurso de auditor do trabalho, cujo salário é de R$ 23 mil, o valor cobrado seria de R$ 500 mil.
A decisão judicial que autorizou as prisões detalha que os investigados “dominam e conduzem as práticas delituosas tanto na fraude direta com fornecimento de ponto eletrônico e respostas durante as provas, quanto por meio de contratação de terceira pessoa para se apresentar como candidato”.
Os métodos utilizados incluíam uso de pontos eletrônicos instalados e extraídos com apoio de médico, falsificação de documentos para substituição de candidatos e até acesso antecipado a provas.
Thyago Andrade é apontado como responsável pelo “controle financeiro e operacional” do grupo e teria acesso a “staff de especialistas” para falsificar documentos e subornar seguranças dos locais de prova.
Laís Araújo foi classificada pela PF como “reincidente contumaz”, tendo se envolvido em pelo menos três casos de concursos fraudados somente em 2022. A quebra de sigilo telemático revelou “farto material” relacionado a “inúmeras outras fraudes, pagamentos pelo serviço ligando as ações aos contratantes”.
Os investigados foram excluídos dos processos seletivos, afastados dos cargos públicos já ocupados e poderão responder por fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documento público.
O Ministério da Gestão e Inovação confirmou fraude pontual durante aplicação da primeira edição do CNU, mas reforçou que os casos foram identificados e envolvidos eliminados.
Para o CNU 2, previsto para domingo (5), foram reforçadas medidas de segurança: provas identificadas página a página com códigos de barra, tipo da prova revelado apenas na divulgação dos gabaritos, detectores de metal em salas e banheiros, e detectores de ponto eletrônico em todos os municípios.
Mais de 11 mil agentes de segurança estão envolvidos na segurança do transporte, armazenamento e aplicação das provas em 228 cidades.


