Suspeito de feminicídio recebeu R$ 12 milhões ligados à produtora do filme de Bolsonaro

Data:

O homem preso por suspeita de matar a própria esposa após uma sequência de agressões que terminou com a queda da vítima do 10º andar de um prédio em São Paulo recebeu R$ 12 milhões em contratos ligados à produtora executiva do filme sobre Jair Bolsonaro. Trata-se de Alex Leandro Bispo dos Santos, que foi detido preventivamente nesta semana e é investigado por feminicídio.

A empresa de Alex, chamada Favela Conectada, foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de wi-fi gratuito em comunidades de baixa renda. O ICB é presidido por Karina Pereira da Gama, que também atua como produtora executiva da cinebiografia de Bolsonaro, intitulada Dark Horse.

Segundo documentos obtidos por reportagens investigativas, a Favela Conectada recebeu valores milionários para a manutenção de pontos de internet, inclusive com pagamentos antecipados por serviços que ainda não haviam sido efetivamente prestados. Em um dos casos, a empresa recebeu por 12 meses de manutenção de pontos que funcionaram por pouco mais de dois meses. O custo efetivo do serviço entregue à população foi significativamente inferior ao valor pago.

As investigações apontam ainda que a Prefeitura aceitou considerar uma data-base única para a instalação de todos os pontos de wi-fi, mesmo quando os relatórios indicavam datas diferentes de funcionamento. Com isso, cerca de R$ 26 milhões teriam sido pagos à ONG por manutenção de pontos que sequer existiam naquele momento.

Alex Leandro Bispo dos Santos já tinha antecedentes criminais e chegou a cumprir pena anteriormente. Ele foi preso após imagens de câmeras de segurança mostrarem a vítima, Maria Katiane Gomes da Silva, de 26 anos, sendo brutalmente agredida no estacionamento do prédio, dentro do elevador e, posteriormente, arremessada do 10º andar. O caso é investigado como feminicídio pela Polícia Civil de São Paulo.

A Prefeitura de São Paulo afirmou, em nota, que não há relação entre o contrato do programa Wi-Fi Livre SP e autorizações para filmagens do filme sobre Bolsonaro, além de defender a legalidade do programa. Já o Instituto Conhecer Brasil e a defesa de Alex Bispo não responderam até a publicação desta reportagem.

O caso levanta questionamentos graves sobre uso de recursos públicos, falhas de fiscalização, critérios de contratação de ONGs e a relação entre política, cultura e contratos milionários, além de expor um cenário em que dinheiro público acabou ligado, direta ou indiretamente, a um suspeito de um crime brutal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Polícia Civil prende suspeitos por golpes no interior paulista

Uma operação da Polícia Civil realizada nesta terça-feira (3)...

Oficinas culturais recebem novos professores em São Sebastião

A retomada das Oficinas Culturais de São Sebastião começou...

Ecopontos de Praia Grande abrem aos domingos

Descartar corretamente resíduos recicláveis ficou mais fácil em Praia...

Acidente com ônibus mata romeiros em Alagoas

Uma tragédia marcou a manhã desta terça-feira (3) no...