A agressão sofrida por um casal de turistas em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, escancarou uma prática que vai muito além de um caso isolado. A prefeitura local determinou a suspensão temporária da barraca envolvida após a repercussão do episódio, em que os visitantes afirmam ter sido agredidos ao se recusarem a pagar uma cobrança considerada abusiva pelo uso de cadeiras na praia.
Segundo o relato, o valor final apresentado foi muito superior ao combinado inicialmente, situação comum em diversos destinos turísticos do país. Diante da negativa do casal em aceitar a cobrança, atendentes teriam partido para agressões físicas e intimidação, transformando um dia de lazer em uma cena de violência.
Um problema que se repete no Brasil inteiro
O caso reacende o debate sobre o comportamento de parte dos chamados barraqueiros ou bandejeiros que atuam em praias brasileiras. Em muitos locais, esses grupos se apropriam informalmente de áreas públicas, intimidam turistas, impõem consumação mínima, praticam venda casada e criam um ambiente de hostilidade para quem tenta apenas usar a praia de forma livre.
Esse tipo de situação não é exclusivo do Nordeste. No litoral paulista, especialmente durante a alta temporada, são frequentes as reclamações de turistas sobre abordagens agressivas, cobranças não informadas previamente e até ameaças quando há questionamento dos valores. O resultado é a degradação da experiência turística e o afastamento de visitantes, além do desgaste da imagem das cidades.
Medidas pontuais, problema estrutural
Em Porto de Galinhas, a prefeitura anunciou o afastamento dos funcionários envolvidos, reforço da Guarda Municipal e ações de fiscalização ambiental na orla. Medidas importantes, mas que ainda têm caráter reativo. Especialistas e moradores apontam que o problema é estrutural e exige fiscalização permanente, regras claras de ocupação da praia e punições efetivas para práticas abusivas.
Enquanto isso não acontece de forma contínua, episódios como o ocorrido em Ipojuca seguem se repetindo pelo país, transformando praias — que deveriam ser espaços públicos, livres e democráticos — em territórios marcados por intimidação, conflito e exploração do turista.
Impacto direto no turismo
Além da violência física, esse tipo de prática gera insegurança, sensação de extorsão e desestimula o turismo sustentável. O prejuízo não recai apenas sobre os visitantes, mas também sobre comerciantes regulares, trabalhadores corretos e sobre a economia local como um todo.
O caso de Porto de Galinhas serve de alerta: sem controle efetivo e presença constante do poder público, a combinação de verão, praias lotadas e fiscalização frouxa continua criando um cenário propício para abusos que se espalham de norte a sul do Brasil.


