A final da Supercopa Feminina, disputada na tarde deste sábado (7/2), na Arena Barueri, em Barueri (SP), foi marcada por um duplo protagonismo: dentro de campo, um resultado histórico; fora dele, uma forte mobilização de enfrentamento à violência contra a mulher.
Diante de 2.576 torcedores, o Palmeiras venceu o Corinthians nos pênaltis por 5 a 4 e conquistou, pela primeira vez, o título da competição organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O clube havia participado do torneio apenas uma vez, em 2022.
Campanha de conscientização dentro e fora de campo
A ação de conscientização foi promovida pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, em parceria com a CBF, e integra a estratégia nacional de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Durante a programação, a Tenda Lilás realizou atividades de orientação junto ao público, com distribuição de viseiras e adesivos, além de uma ação simbólica no gramado, marcada pela exibição da faixa:
“Não passe pano para a violência contra a mulher.
Seja um aliado. Proteja. Denuncie. Ligue 180.”
Também foi exibido um vídeo nos telões do estádio reforçando que violência contra a mulher é crime e deve ser combatida por toda a sociedade, com o engajamento de homens e mulheres.
Lideranças femininas e compromisso institucional
A presidenta do Palmeiras, Leila Pereira, destacou a relevância da campanha e o papel das mulheres em posições de liderança no futebol.
“Não passe pano para a violência. Denuncie sempre. Eu, como mulher e presidente de um clube tão grande como o Palmeiras, me sinto muito honrada de fazer parte dessa campanha”, afirmou.
Já o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, ressaltou as iniciativas internas adotadas pelo clube para prevenir e enfrentar situações de violência.
“Desde que entrei no Corinthians, implementamos processos de informação. Hoje, há cartazes falando sobre violência, sobre o que pode e o que não pode. Temos um setor específico para orientação”, explicou.
Voz das torcedoras: empatia e apoio salvam vidas
A mobilização também deu espaço às torcedoras presentes no estádio. Fátima destacou a importância da empatia e do acolhimento às mulheres em situação de violência.
“É preciso ter um olhar mais sensível, ajudar e dizer ‘estou ao seu lado’. Muitas mulheres não denunciam porque não têm apoio. Não é julgamento, é empatia”, afirmou.
Para Joelma, o enfrentamento à violência exige participação ativa de toda a sociedade.
“O homem precisa estar mais presente no cuidado e na atenção. Se vê algo errado, tem que se posicionar. Não pode existir essa lógica de que com a filha de um não pode, mas com a outra pode. Nós, mulheres, precisamos nos unir, e os homens também precisam agir”, ressaltou.
Mobilização nacional no esporte
Além da final da Supercopa Feminina entre Palmeiras e Corinthians, a campanha já marcou presença em outros grandes eventos do futebol brasileiro, como o clássico Fla x Flu e a final da Supercopa Rei, disputada entre Corinthians e Flamengo.
A iniciativa amplia o alcance da mensagem e reforça que, dentro e fora dos estádios, não há espaço para a violência contra as mulheres.


