O Palmeiras, em uma tentativa de justificar sua opção pelo gramado falso de plástico, lançou uma nota oficial provocativa, desafiando os críticos ao gramado artificial e alegando que não há evidência científica de que o gramado de plástico cause mais lesões aos jogadores. Porém, a justificativa do clube ignora um ponto fundamental: as principais competições da FIFA não utilizam gramado de plástico. A Copa do Mundo, a Champions League, e outras grandes competições internacionais exigem gramados naturais, de alta qualidade, mesmo em locais com condições climáticas extremas, como a neve da Europa. Países como a Inglaterra, Alemanha e França enfrentam condições de inverno severo, mas conseguem manter gramados naturais em estádios de altíssimo nível. O Palmeiras, por sua vez, defende o gramado falso de plástico enquanto abre mão de um padrão internacional de qualidade.
Essa situação está intimamente ligada à falta de autonomia do Palmeiras sobre seu próprio estádio. O Allianz Parque, famoso por ser o “coração” do clube, não é, na prática, de sua propriedade. A gestão compartilhada com a WTorre cria um conflito de interesses que resulta em decisões que priorizam a agenda comercial em vez da qualidade do campo de jogo. Prova disso é a série de nove shows programados para o Allianz Parque enquanto o Palmeiras joga no interior. Entre as atrações confirmadas estão grandes nomes como Limp Bizkit, Avenged Sevenfold, My Chemical Romance e Bad Bunny. Isso significa que, em pleno período de obras para a troca do gramado, o clube e a WTorre ainda veem mais valor em ter o estádio repleto de público para shows do que em preservá-lo para os jogos de futebol.
Ao fazer essa escolha, o Palmeiras coloca os jogos em segundo plano em benefício de um lucro imediato com os shows, mesmo que isso signifique sacrificar a qualidade do gramado. Quando o clube se vê forçado a mandar seus jogos em Barueri, como vai acontecer com os clássicos contra Santos e São Paulo, fica claro que a verdadeira prioridade não está no desempenho esportivo, mas sim na maximização da receita gerada pelos eventos fora de campo.
A provocação feita na nota do Palmeiras, com a pergunta “Sintético ou buraco?”, ignora uma terceira possibilidade viável: o gramado natural de qualidade, que o Corinthians, mesmo com dívidas e dificuldades financeiras, mantém com investimentos significativos para preservar um dos melhores campos do Brasil, e talvez um dos melhores do mundo. O Corinthians investe pesadamente para garantir que o campo de jogo permaneça em condições excepcionais, como referência internacional. Ao invés de se contentar com o gramado falso, o clube paulista coloca em prática o que é um compromisso com o futebol de qualidade e com a experiência do torcedor. Enquanto isso, o Palmeiras, ao não ter autonomia total sobre o Allianz Parque, faz a escolha óbvia de priorizar os shows e a agenda comercial, deixando de lado a tradição de um bom campo para o futebol.
Vale também lembrar que não há precedentes de competições internacionais importantes jogadas em gramado falso. A FIFA nunca permitiu que suas competições, incluindo a Copa do Mundo, sejam disputadas em gramado de plástico, principalmente devido ao fato de que o futebol de alto rendimento precisa de um gramado natural para preservar a integridade física dos jogadores e garantir a qualidade técnica do jogo. Assim, ao promover o uso do gramado falso como uma “solução viável”, o Palmeiras ignora uma realidade bem estabelecida no cenário mundial do futebol.
A defesa do gramado de plástico também falha ao ignorar que, para o Palmeiras, o real interesse não é oferecer um campo de jogo adequado para os atletas, mas garantir que o Allianz Parque esteja disponível para o máximo de eventos possíveis. Ao invés de garantir que o campo do estádio estivesse preparado para os seus jogos importantes, o Palmeiras fez a opção de ceder espaço para shows, que geram mais lucro imediato. Isso coloca em xeque o verdadeiro compromisso do clube com o futebol e seus torcedores.


