O Palmeiras viveu uma noite constrangedora nesta terça-feira ao levar um verdadeiro baile do Novorizontino e perder por 4 a 0, no que já é considerada a pior derrota da era Abel Ferreira. Mais do que o placar elástico, o que preocupa o torcedor é o conjunto da obra: um time sem ideias, cometendo erros primários e repetindo velhos vícios que se arrastam há meses.
Mesmo com mais posse de bola, o Verdão foi inofensivo. Teve controle estéril do jogo, girou a bola sem profundidade e, quando pressionado, voltou ao velho roteiro do chutão para frente, apostando no improviso em vez de construção coletiva. Um retrato fiel de um time que, apesar do discurso moderno, segue jogando de forma previsível.
Defesa desorganizada e erros infantis
Se no ataque faltou criatividade, atrás sobrou desatenção. O Palmeiras sofreu gols em escanteio fechado, contra-ataque mal defendido e falhas individuais grosseiras. No segundo tempo, dois reservas ajudaram a transformar a derrota em goleada: erros de domínio, passes displicentes e tomadas de decisão incompatíveis com um time que se coloca como protagonista.
O resultado escancara um problema que já vinha sendo mascarado por vitórias apertadas: o Palmeiras não joga bem há muito tempo.
Quase dois anos sem títulos e sinais de desgaste
A goleada acontece em um contexto incômodo: o clube se aproxima de dois anos sem levantar um título relevante, algo raro na era Abel Ferreira. Desde então, o time oscila, repete erros e não apresenta evolução clara, mesmo com mudanças de elenco e apostas internas.
Jogadores importantes seguem apagados, o meio-campo é burocrático e o sistema ofensivo depende mais de lampejos individuais do que de organização tática. A promessa de renovação, por enquanto, não saiu do papel.
Abel pressionado — e discurso já conhecido
Abel Ferreira, que construiu enorme crédito no clube, começa a ser cobrado com mais intensidade. Não apenas pelos resultados, mas também pela postura. O treinador tem o hábito recorrente de terceirizar responsabilidades, frequentemente apontando arbitragem, calendário ou contexto externo como explicação para maus desempenhos.
Desta vez, porém, não houve arbitragem para culpar. O Palmeiras foi dominado do início ao fim por um adversário inferior no papel, mas muito mais organizado em campo.
Sinal de alerta ligado
Ainda é início de temporada, há desfalques e questões físicas envolvidas. Mas o tamanho da derrota, somado ao histórico recente, acende um alerta real. O Palmeiras precisa mais do que rodar elenco ou esperar reforços: precisa mudar a forma de jogar, assumir erros e parar de empurrar problemas para fora do campo.
Se nada mudar, o “baile” sofrido contra o Novorizontino pode ser apenas o começo de um ano turbulento para um clube acostumado a disputar tudo — mas que hoje parece longe disso.


