A Vila Belmiro viveu uma tarde de tensão, explosão e alívio coletivo. Com atuação segura, organizada e emocionalmente madura, o Santos venceu o Cruzeiro por 3 a 0 e confirmou sua permanência na Série A, evitando um rebaixamento que por semanas parecia cada vez mais próximo.
Em dia inspirado de Thaciano, decisivo com dois gols no primeiro tempo, e com Neymar orquestrando o ataque, o Peixe dominou o Cruzeiro, soube sofrer quando necessário e matou o jogo com João Schmidt na etapa final. A Vila, sufocada por meses de medo, finalmente voltou a respirar.
Primeiro tempo: Thaciano comanda a tarde, Neymar dita o ritmo
O Santos começou pressionando, com Neymar centralizando e distribuindo o jogo. A defesa do Cruzeiro resistia, mas o gol era questão de tempo — e ele veio em dose dupla.
Aos 25 minutos, Guilherme cobrou escanteio com precisão e encontrou Thaciano, que subiu no tempo certo e abriu o placar. Dois minutos depois, nova jogada trabalhada pela direita terminou em cruzamento perfeito de Igor Vinicius para o camisa 8 completar: 2 a 0, Vila Belmiro em festa.
O Santos seguiu dominante: Guilherme acertou a trave aos 38, Neymar finalizou com perigo e até Barreal tentou sem sucesso.
O Cruzeiro só assustou em lance de Gabigol, mas Brazão defendeu antes do impedimento ser marcado.
O Peixe foi para o vestiário com vantagem justa — e fundamental.
Segundo tempo: chance mineira anulada, pressão santista e o gol da permanência
O Cruzeiro voltou para o jogo tentando reverter o placar. Rayan chegou a marcar após passe de Gabigol, mas o gol foi anulado por impedimento.
O Santos respondeu de maneira agressiva: Thaciano acertou o travessão aos 13 minutos e quase fez seu terceiro gol. Aos 15, Guilherme cobrou escanteio novamente com precisão milimétrica, e João Schmidt subiu mais alto que toda a defesa para fazer o 3 a 0.
Era o gol da permanência.
Após isso, o Cruzeiro pressionou:
- Zé Ivaldo acertou a trave,
- Eduardo marcou, mas novamente em impedimento,
- Matheus Henrique arriscou de longe, exigindo ótima defesa de Brazão.
Do lado santista, Neymar seguiu tentando jogadas individuais, dribles e finalizações, enquanto Rollheiser obrigou Léo Aragão a grande defesa aos 42 minutos.
O Santos suportou a pressão, controlou o emocional e levou o jogo ao apito final.
Reação do Cruzeiro: discurso de cabeça erguida
Após o apito final, quem falou foi o capitão do Cruzeiro, valorizando a campanha da equipe e pedindo foco na Copa do Brasil — competição em que o clube ainda está vivo:
“Equipe está de parabéns pela campanha que fez no ano. Esse jogo não define o que é nossa equipe. Conseguimos fazer gol, anulado. Agora é focar na Copa do Brasil. Estou feliz por estar de volta, ganhando mais minutos. Agora é esfriar a cabeça e quarta-feira ganhar o jogo, passar para final e ser campeão.”
O discurso deixou claro que, apesar da derrota e do alívio santista, a temporada celeste segue.
Destaques do jogo
⭐ Thaciano — 2 gols, presença de área e intensidade absurda.
⭐ Neymar — articulador, protagonista, líder técnico.
⭐ Guilherme — 2 assistências, alto nível nas bolas paradas.
⭐ Brazão — defesas fundamentais para manter o placar.
⭐ João Schmidt — autor do gol que selou a permanência.
Um capítulo de sobrevivência — e um novo começo
O Santos fecha um ciclo turbulento com a missão mais urgente concluída: continuar na Série A. Após meses de instabilidade, troca de técnicos, oscilações e clima emocional carregado, a equipe encontrou força justamente quando mais precisava.
A Vila Belmiro pulsou, acreditou e empurrou. E no fim, a permanência — tão sofrida quanto valiosa — pode representar o início de uma reconstrução profunda.
O Santos segue vivo.
Agora, começa o trabalho para que momentos como este virem exceção — e não rotina.


