A brasileira Rayssa Leal, de apenas 17 anos, escreveu mais um capítulo histórico no skate mundial ao conquistar, neste domingo, o tetracampeonato da Street League Skateboarding (SLS). A vitória no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, diante de quase 10 mil torcedores, consolidou a maranhense como o maior nome do skate street feminino da atualidade.
A etapa de 2025, elevada ao status de principal competição do ano após o cancelamento do Mundial, reuniu as principais estrelas do esporte — e Rayssa brilhou mais uma vez, superando a fortíssima esquadra japonesa e a jovem sensação australiana Chloe Covell.
A final: técnica, consistência e superação física
Mesmo chegando à decisão com dores após uma queda no treino — em que machucou a cabeça, sentiu o joelho e ainda acordou com torcicolo — Rayssa fez uma apresentação impecável. Ela abriu a final com uma volta nota 8.3, assumindo a liderança logo no início.
“Estou muito feliz, não tenho palavras. Era 100% a meta do ano”, declarou Rayssa. “Mesmo machucada, competi muito feliz e fiquei 100% para a competição.”
A brasileira manteve o primeiro lugar ao longo de toda a disputa, mesmo com pequenas falhas e contra-ataques das rivais. Sua consistência nas manobras — especialmente no corrimão, onde executou sua clássica linha para um 7.5 — garantiu vantagem mínima, mas estratégica, sobre Oda e Covell.
Domínio japonês na disputa — e a supremacia de Rayssa
A final reuniu um campo de altíssimo nível: quatro japonesas — todas medalhistas olímpicas ou mundiais — além da australiana Chloe Covell, que apesar da pouca idade já soma pódios importantes.
As finalistas incluíam:
- Coco Yoshizawa – campeã olímpica
- Liz Akama – medalha de prata nas Olimpíadas
- Yuna Nakayama – bronze em Tóquio 2021
- Yumeka Oda – campeã mundial
- Chloe Covell – prodígio australiana
Ainda assim, nenhuma delas conseguiu superar a consistência de Rayssa, que mostrou maturidade técnica incomum para sua idade.
O cenário confirma um padrão crescente no skate feminino: protagonismo absoluto das atletas mais jovens. Na final, a competidora mais velha era Funa Nakayama, de 20 anos.
Manobras decisivas e notas altas consolidam o título
A sequência final da competição teve momentos de tensão. Na terceira rodada de manobras, Oda e Akama apresentaram notas fortes e chegaram a ameaçar a liderança da brasileira. Rayssa, porém, respondeu com um 8.7, ampliando sua vantagem e mostrando precisão milimétrica.
Na penúltima tentativa, ela cravou mais uma manobra sólida — nota 8.1 — mantendo-se no topo com folga.
A definição do título veio na última rodada:
- Oda caiu, perdendo a chance de ultrapassar Rayssa
- Covell também caiu, encerrando qualquer possibilidade de disputa
- Com isso, Rayssa já era matematicamente campeã antes de executar sua última manobra
O ginásio explodiu em comemoração, reconhecendo a coroação de um dos maiores fenômenos do esporte brasileiro.
Um feito “sobrenatural” — e reconhecido pelos ídolos
Após conquistar o quarto título seguido da Street League, Rayssa recebeu elogios públicos de Bob Burnquist, maior nome da história do skate nacional e uma das maiores referências mundiais:
“O nível técnico dela é muito alto”, destacou o multicampeão.
A fala resume o impacto da jovem atleta, que transformou talento precoce em domínio competitivo.
SLS 2025: a competição mais importante do ano
O cancelamento do Campeonato Mundial organizado pela World Skating fez da SLS Super Crown a principal prova do calendário. Reunindo todas as grandes estrelas da modalidade, a conquista ganha ainda mais peso — e reforça a hegemonia de Rayssa no skate street.
Rayssa Leal, a atleta de uma geração
Com apenas 17 anos e prestes a completar 18 em janeiro, Rayssa já acumula:
- 4 títulos da Street League
- Medalhas olímpicas
- Protagonismo mundial
- Carisma e impacto cultural raros no esporte brasileiro
O tetracampeonato em São Paulo, diante de um ginásio lotado, solidifica sua posição como um dos maiores talentos da história do skate — e como uma das maiores atletas brasileiras em atividade.


