Em 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho lançavam um dos discos mais marcantes da música brasileira: Gita. Inspirado pelo livro sagrado indiano Bhagavad-gita, o álbum nasceu de uma conversa entre os dois sob o céu estrelado de Dias d’Ávila (BA), logo após o sucesso do disco de estreia Krig-ha, Bandolo!. Daquele diálogo, surgiu em poucos minutos a faixa que dá nome ao disco e moldou a sonoridade e o conteúdo místico da obra.
Agora, em celebração aos 80 anos de Raul Seixas, comemorados em 28 de junho, a Universal Music Brasil relança Gita em vinil vermelho. A edição especial já está em pré-venda na UMusic Store.
Com 12 faixas, o disco é um marco da música nacional por unir espiritualidade, crítica social, humor e rock’n’roll. A capa, com Raul de boina vermelha e guitarra em punho, traz o selo da Sociedade Alternativa, conceito baseado nos ensinamentos do ocultista Aleister Crowley. A ideia de liberdade individual é sintetizada no verso símbolo: “Faze o que tu queres, pois é tudo da lei.”

O álbum traz oito parcerias com Paulo Coelho, incluindo o hino “Sociedade Alternativa”, que chegou a ser exibido no Fantástico, mesmo durante a ditadura. Em 2013, foi cantado por Bruce Springsteen no Rock in Rio. As outras quatro faixas são assinadas apenas por Raul.
Com linguagem acessível e sonoridade que mistura rock, MPB, bolero e regionalismo nordestino, o disco reafirma o desejo de Raul de se comunicar com as massas. Como ele mesmo declarou em 1974:
“Escolhi a música porque é o meio mais fácil de chegar ao povo. Eu faço música comercial. Quero continuar botando músicas na parada de sucesso. Tá legal?”
Faixas marcantes incluem:
“Super Heróis”: sátira pop com Silvio Santos, Pelé e Fittipaldi.
“Medo da Chuva”: questiona o casamento tradicional.
“As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”: mistura de repente e rock.
“Água Viva”: inspirada em poema de São João da Cruz, com arranjos de cordas de Miguel Cidras.
“Moleque Maravilhoso”: arranjo à la Sinatra e crítica disfarçada à censura.
“Sessão das 10”: bolero brega com humor paródico.
“O Trem das 7”: linguagem simples e apocalíptica, referência ao “Novo Aeon”.
“S.O.S.”: crítica à alienação da classe média, com ecos de Mr. Spaceman, dos Byrds.
“Prelúdio”: vinheta baseada em texto atribuído a Cervantes: “Sonho que se sonha junto é realidade.”
“Loteria da Babilônia”: baseada em conto de Borges.
“Um Som para Laio”: feita para a novela O Rebu.
“Não Pare na Pista”: mensagem direta para seguir em frente, composta na mesma viagem que originou “Gita”.
Faixas do álbum Gita – Vinil 2024
Lado A
Super Heróis
Medo da Chuva
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
Água Viva
Moleque Maravilhoso
Sessão das 10
Lado B
Sociedade Alternativa
O Trem das 7
S.O.S.
Prelúdio
Loteria da Babilônia
Gita
A reedição de Gita reafirma o legado visionário de Raul Seixas e sua busca incansável por liberdade artística, espiritual e social — um convite que ainda ecoa forte: “Não pare na pista.”


