Fim da escala 6×1 tem apoio de 73%, desde que salário não caia

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Levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que o apoio ao fim da jornada 6×1 é amplo no Brasil, mas depende diretamente da manutenção da renda. Segundo o estudo, 73% dos brasileiros são favoráveis à mudança, desde que não haja redução salarial.

A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados acima de 16 anos.

De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 62% dos entrevistados sabem que há um debate em andamento no governo federal e no Congresso Nacional sobre o tema. Desse total, apenas 12% afirmam conhecer bem a proposta, enquanto 50% dizem conhecer “mais ou menos”. Outros 35% nunca ouviram falar sobre o assunto.

Apoio cai se houver redução salarial

O levantamento mostra que o apoio despenca quando a proposta envolve diminuição da remuneração. Nesse cenário, apenas 28% continuam favoráveis ao fim da escala. Outros 40% defendem o término do modelo 6×1 apenas se não houver corte nos salários, e 5% dizem apoiar a mudança, mas ainda não têm posição formada sobre a questão salarial.

Para Tokarski, o dado evidencia que o debate central no Congresso será justamente sobre a manutenção da renda. Segundo ele, enquanto trabalhadores tendem a rejeitar qualquer redução de salário, parte do setor empresarial defende que eventual diminuição da jornada implique ajuste proporcional na remuneração.

Quando questionados se o trabalhador deveria ter pelo menos duas folgas obrigatórias por semana — sem considerar impacto financeiro — 84% responderam que sim.

Diferença entre eleitores

O apoio à proposta é maior entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre quem votou em Lula no segundo turno de 2022, 71% são favoráveis ao fim da escala 6×1, 15% são contrários e 15% não opinaram.

Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 53% apoiam a mudança, 32% são contra e 15% não souberam ou não quiseram responder.

Tramitação no Congresso

A proposta está vinculada à PEC 148/2015, aprovada em dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara dos Deputados.

Se aprovada, a implementação será gradual. No primeiro ano, as regras atuais seriam mantidas. No ano seguinte, o número de descansos semanais subiria de um para dois. A jornada máxima, hoje fixada em 44 horas semanais, poderia cair para 40 horas a partir de 2027 e para 36 horas semanais a partir de 2031.

Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados acreditam que a proposta será aprovada pelo Congresso, enquanto 35% acham que não. Apenas 12% afirmam entender bem o conteúdo da PEC.

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