Fantástico revela erros básicos em prova de Medicina e acende alerta sobre formação médica no Brasil

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Uma reportagem exibida no Fantástico, neste domingo (25), trouxe à tona um dado preocupante sobre a formação médica no país. O programa teve acesso exclusivo às respostas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e mostrou que mais de 30% dos cursos de Medicina tiveram desempenho insuficiente, com erros em situações consideradas elementares da prática clínica.

Segundo o levantamento, cerca de 39 mil estudantes do último ano participaram da prova, que avaliou 351 cursos em todo o Brasil. Entre os quase 13 mil alunos reprovados, muitos erraram questões básicas do atendimento médico, como diagnóstico de dengue, avaliação de dor de cabeça e prescrição correta de medicamentos — falhas que, na prática, podem colocar pacientes em risco.

A reportagem do Fantástico mostrou, por exemplo, que 66% dos estudantes reprovados erraram uma questão considerada fácil, que perguntava como agir diante de sintomas graves de dengue, como febre alta, dores intensas e vômitos persistentes. Especialistas alertam que esse tipo de erro pode levar à liberação indevida de pacientes que correm risco de evoluir para quadros graves, como a dengue hemorrágica.

Outro caso destacado foi o de uma questão sobre dor de cabeça em uma paciente de 55 anos, com sinais de alerta neurológico. A conduta correta era solicitar um exame de sangue simples para investigar inflamação nos vasos sanguíneos, mas 65% dos reprovados erraram a resposta. Para entidades médicas, o dado é alarmante, já que o manejo adequado de sintomas comuns é parte central da atuação médica.

O Fantástico também revelou falhas em questões sobre prescrição de medicamentos, como no tratamento da doença de Parkinson. Mais da metade dos estudantes reprovados não conseguiu identificar corretamente os remédios indicados, reforçando preocupações sobre a segurança do atendimento prestado por recém-formados.

Estudantes ouvidos pela reportagem relataram problemas estruturais, excesso de alunos em campos de estágio, falta de professores especialistas e ausência de hospitais-escola. O Ministério da Educação informou que instituições com baixo desempenho poderão sofrer sanções, como redução de vagas e proibição de novas matrículas, além de processos administrativos para correção de falhas pedagógicas.

Diante do cenário, o Conselho Federal de Medicina defende a criação de um exame de proficiência obrigatório para o exercício da profissão, nos moldes do que já ocorre em outras áreas. A proposta, segundo o conselho, busca proteger a sociedade e garantir que apenas profissionais devidamente preparados atuem na linha de frente da saúde.

A reportagem do Fantástico reforça um debate que ganha força no país: a expansão acelerada de cursos de Medicina, especialmente no setor privado, sem a garantia de qualidade, e os impactos diretos disso na segurança dos pacientes e no sistema de saúde como um todo.

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