Um levantamento oficial da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) escancara uma realidade incômoda para moradores e turistas: o litoral paulista enfrenta uma verdadeira epidemia de roubos e furtos de celulares — e Praia Grande aparece no topo desse ranking nada honroso.
Entre janeiro e outubro de 2025, a cidade registrou 2.682 ocorrências, liderando a lista entre os municípios litorâneos. Logo atrás vêm São Vicente, com 2.602 casos, e Santos, com 1.962 registros. Os dados consideram apenas situações em que o aparelho foi subtraído, com ou sem violência, e não incluem perdas ou extravios.
Ranking completo do litoral
- Praia Grande – 2.682
- São Vicente – 2.602
- Santos – 1.962
- Guarujá – 1.310
- Itanhaém – 551
- Caraguatatuba – 516
- Mongaguá – 488
- Peruíbe – 381
- Ubatuba – 366
- Bertioga – 365
- São Sebastião – 315
- Ilhabela – 119
- Ilha Comprida – 69
- Iguape – 64
- Cananéia – 16
Segurança pública que não acompanha a realidade
Os números revelam mais do que estatísticas: mostram a fragilidade da política de segurança pública nas cidades que mais recebem turistas no estado. Praia Grande, São Vicente e Santos concentram grandes fluxos de visitantes, especialmente em fins de semana, feriados e temporada de verão — exatamente quando a presença policial deveria ser reforçada de forma estratégica.
Na prática, porém, o que se vê é o oposto:
- policiamento insuficiente em áreas de grande circulação
- furtos rápidos e recorrentes, muitas vezes praticados à luz do dia
- sensação crescente de impunidade
O celular virou o alvo preferencial por ser um bem de alto valor, fácil revenda e rápida ocultação. O resultado é um crime de baixo risco para o criminoso e alto impacto para a vítima — que perde não apenas o aparelho, mas dados pessoais, acesso bancário e documentos digitais.
Turismo em risco
O ranking também levanta um alerta direto para o turismo. Cidades que vendem a imagem de lazer, praia e qualidade de vida passam a ser associadas à insegurança cotidiana. Para o visitante, o recado é claro: andar com o celular na mão virou um risco calculado.
Sem ações integradas mais eficazes — como policiamento ostensivo em áreas turísticas, uso de inteligência policial, câmeras funcionais e resposta rápida —, o litoral paulista corre o risco de normalizar um problema que já ultrapassou o aceitável.
Enquanto isso, o ranking cresce, os números se acumulam e a conta da insegurança continua sendo paga por moradores e turistas.


