O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (18), que o Brasil já reúne condições econômicas e institucionais para avançar na redução da jornada de trabalho e, consequentemente, discutir o fim da escala 6 por 1. A declaração foi feita durante entrevista coletiva, na qual o presidente ressaltou, porém, que não pretende encaminhar um projeto elaborado pelo próprio Governo ao Congresso Nacional.
Segundo Lula, a iniciativa deve partir do movimento sindical.
“Eu preciso ser provocado”, afirmou.
“O país está pronto e a economia está pronta para o fim da escala 6 por 1. Não existe um único argumento que possa dizer que a sociedade brasileira não está preparada”, completou o presidente.
Lula relembrou sua trajetória como dirigente sindical e destacou que sempre esteve à frente da luta pela redução da jornada de trabalho.
“Eu tive a sorte de ser dirigente sindical durante um bom tempo e fui um dos que encabeçaram a luta pela jornada de 40 horas”, disse.
De acordo com o presidente, os avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas permitem que as empresas produzam mais com menos trabalhadores, o que reforça a necessidade de reavaliar os modelos atuais de trabalho.
“Por que não reduzir a jornada? Para o trabalhador ficar mais tempo em casa, cuidar melhor da família e estudar um pouco mais”, questionou.
Durante a entrevista, Lula reforçou que não pretende impor a pauta por meio do Executivo.
“Eu disse aos dirigentes sindicais que não quero tomar a iniciativa e mandar um projeto de lei do Governo. Quero que eles façam a proposta, debatam, tragam para mim. Quando isso acontecer, eu encaminharei ao Congresso Nacional”, afirmou.
As declarações reacendem o debate nacional sobre a organização do trabalho, qualidade de vida dos trabalhadores e os impactos da redução da jornada na economia brasileira.


