Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do STF Kassio Nunes Marques, afirmou em sua apresentação profissional que, com apenas um ano de inscrição na OAB, já atendeu mais de 500 clientes e solucionou pelo menos mil processos. A informação constava em seu site oficial, que saiu do ar no ano passado, mas permaneceu acessível em acervos digitais.
O escritório de Kevin foi registrado oficialmente em agosto de 2024, alguns meses depois de sua aprovação no exame da OAB, ocorrida em 29 de fevereiro daquele ano. O endereço profissional informado por ele fica no Lago Sul, em Brasília, e é o mesmo local onde atua sua tia, Karine Nunes Marques. Segundo a assessoria da família, a utilização do mesmo endereço seria uma estratégia deliberada e legal, embora os escritórios sejam independentes.
O imóvel também abriga o escritório de Karson de Carvalho Marques, irmão gêmeo de Kevin, que iniciou suas atividades em agosto de 2025. Karine, por sua vez, mantém ainda outro escritório em São Paulo, na região da Cidade Jardim.
Outro ponto que chamou atenção envolve movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf. Segundo o documento, Kevin recebeu 11 transferências de uma consultoria tributária no mesmo período em que essa empresa recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS. Em resposta, a assessoria do advogado afirmou que ele nunca recebeu recursos diretamente dessas companhias e que sua relação se deu apenas por ter prestado serviços a uma consultoria que tinha ambas entre seus clientes.
No período dessas transferências, Kassio Nunes Marques era relator no STF de uma disputa empresarial entre a J&F, controladora da JBS, e a Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose. O gabinete do ministro informou que o caso foi encerrado após acordo entre as partes. Já a JBS declarou que, como outras grandes empresas, contrata consultorias para lidar com a complexidade do sistema tributário brasileiro. O Banco Master não se manifestou.
Na atuação judicial registrada até agora, Kevin aparece em quatro processos na primeira instância e em seis na segunda instância do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sem registros de atuação no STF. Em sua apresentação profissional, ele dizia estar dedicado a compreender as complexidades do sistema tributário brasileiro e a buscar soluções personalizadas para seus clientes.


