A abertura do Carnaval do Rio teve forte tom político na Sapucaí. A Acadêmicos de Niterói levou à avenida um desfile centrado na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, com referências elogiosas a programas sociais associados ao PT e provocações diretas ao bolsonarismo. O presidente acompanhou a apresentação de perto, saiu do camarote para ir ao chão da avenida e chegou a beijar o pavilhão da escola.
O enredo narrou a história de Lula da infância no agreste pernambucano até o retorno à Presidência, com artistas interpretando personagens ligados à biografia do petista, como a mãe, Dona Lindu, e a ex-primeira-dama Marisa Letícia. A escola apostou em alas numerosas e carros alegóricos grandiosos, incluindo um boneco gigante do presidente no encerramento.
Um dos pontos mais comentados foi a forma como Jair Bolsonaro apareceu representado: em alegorias e encenações que ironizavam o ex-presidente, com referências a símbolos do bolsonarismo e menções ao período da pandemia. Também houve citações a episódios marcantes da política recente, como a passagem de faixa para Dilma Rousseff e uma referência ao impeachment de 2016, com alusão a Michel Temer.
No campo partidário, o desfile exibiu elementos visuais associados ao PT — como a cor vermelha e a estrela —, mas evitou o número 13, em sinal de cautela para não alimentar questionamentos eleitorais. A apresentação ainda trouxe uma ala defendendo o fim da escala 6×1 e destacou políticas sociais como Bolsa Família, Prouni, Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida, além de menções a medidas tributárias com foco em renda.
A ausência de Janja também chamou atenção. A primeira-dama não entrou na avenida como previsto e acompanhou a festa no camarote, sendo substituída no carro por uma convidada. Ministros do governo, por sua vez, não desfilaram.



