Esquema bilionário atingiu aposentados em todo país tendo novos desdobramentos envolvendo ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e sócio Edson Yamada. PF revela autorização de acordos irregulares.
O esquema bilionário atingindo aposentados em todo país agora tem novos desdobramentos envolvendo ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e seu sócio ex-dirigente do INSS Edson Yamada. Documentos e ações recentes da Polícia Federal revelam que ambos foram responsáveis por autorizar acordos abrindo caminho para descontos indevidos em benefícios previdenciários movimentando valores chegando a R$ 1,9 bilhão configurando um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo sistema previdenciário brasileiro causando prejuízos enormes aos aposentados e pensionistas dependentes do INSS.
As informações foram divulgadas detalhando como Oliveira e Yamada assinaram 10 Acordos de Cooperação Técnica com associações hoje investigadas. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra eles na nova fase da Operação Sem Desconto resultando também na prisão de três ex-dirigentes do INSS entre eles ex-presidente Alessandro Stefanutto. Por decisão do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal Oliveira passou a usar tornozeleira eletrônica como medida cautelar preventiva enquanto investigação avança.
Três dos ACTs foram assinados diretamente por Oliveira quando ocupava cargo de diretor de Benefícios sendo área responsável por autorizar que entidades façam descontos nos contracheques de beneficiários. As outras sete autorizações partiram de Yamada assumindo posto quando Oliveira tornou-se presidente do INSS permanecendo no cargo durante gestão de Jair Bolsonaro e nos primeiros meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois também compartilhavam sociedade na consultoria Oriente tendo ainda Yasmin Ahmed Oliveira filha do ex-ministro no quadro societário evidenciando conexões familiares e empresariais suspeitas.
Além da atuação conjunta no INSS Yamada doou R$ 15 mil para campanha de Oliveira à Câmara Municipal de São Paulo pelo PSD em 2024 demonstrando vínculos políticos e financeiros entre investigados. A investigação aponta ainda relação de Oliveira com Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais sendo Conafer responsável por mais de R$ 640 milhões desviados do INSS. Em 2021 quando era diretor de Benefícios liberou R$ 15,3 milhões à entidade mesmo sem apresentação dos documentos exigidos permitindo segundo PF que descontos irregulares fossem aplicados em mais de 650 mil benefícios previdenciários.
Planilhas encontradas no núcleo financeiro da Conafer apontam pagamentos suspeitos. Em fevereiro de 2023 investigadores identificaram repasse de R$ 100 mil associado ao codinome São Paulo Yasser sendo PF atribuindo a Oliveira convertido ao islamismo e hoje registrado como Ahmed Mohamad. Naquele momento ele já não era ministro mas Yamada ainda respondia pela diretoria de Benefícios mantendo esquema funcionando. A PF relata ainda mensagem em que Oliveira agradece Cícero Marcelino de Souza Santos apontado como operador financeiro da Conafer após suposto recebimento indevido. Em contrapartida teria atuado para evitar suspensão do acordo mantendo entidade autorizada a aplicar descontos irregulares.
Servidor desde 1985 Oliveira construiu carreira no INSS passando por cargos de chefia em São Paulo até assumir diretoria de Benefícios e mais tarde presidência do órgão. Em seguida comandou Ministério da Previdência até último dia do governo Bolsonaro. Na semana passada já sob investigação foi aposentado sendo movimentação levantando suspeitas entre servidores vendo medida como possível tentativa de escapar das consequências de Processo Administrativo Disciplinar em curso na Controladoria-Geral da União. O INSS afirma desconhecer decisão de aposentá-lo questionando legalidade da aposentadoria concedida durante investigação criminal em andamento.


