O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um recém-criado “conselho de paz” voltado à discussão do futuro da Faixa de Gaza. A iniciativa, anunciada por Trump nos últimos dias, pretende reunir lideranças políticas e nomes estratégicos para debater governança, reconstrução, segurança e atração de investimentos no território palestino após a guerra. Até o momento, Lula ainda não confirmou se aceitará participar.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente brasileiro deve analisar o convite ao longo da próxima semana, e qualquer posicionamento oficial só será divulgado após essa avaliação. O governo trata o tema com cautela, diante do peso diplomático envolvido e das possíveis repercussões internacionais da decisão.
O conselho será presidido pelo próprio Trump e contará com integrantes ligados diretamente ao governo americano e ao establishment político internacional. Entre os convidados estão o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e empresários e assessores ligados à Casa Branca. O presidente da Argentina, Javier Milei, já confirmou publicamente que aceitará o convite.
Dilema diplomático para o Brasil
O convite coloca Lula diante de um cenário diplomático delicado. Desde o início do conflito, o presidente brasileiro tem adotado uma postura crítica às ações militares de Israel em Gaza, defendendo cessar-fogo imediato, proteção à população civil e a criação de um Estado palestino. Essa posição, reiterada em fóruns internacionais, contrasta com o fato de o conselho ser uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.
Além disso, o novo colegiado não está formalmente vinculado à Organização das Nações Unidas, instância que o Brasil tradicionalmente defende como central para a mediação de conflitos internacionais. A eventual participação de Lula poderia gerar questionamentos sobre coerência diplomática, ao passo que uma recusa também não estaria isenta de custos políticos.
Trump tem buscado ampliar o apoio internacional à proposta, e uma negativa brasileira poderia tensionar a relação bilateral em um momento de reaproximação entre os dois países, especialmente após negociações comerciais recentes. Por outro lado, aceitar o convite pode expor o Brasil a pressões e cobranças adicionais sobre sua posição histórica em relação ao conflito no Oriente Médio.
Diante desse cenário, a decisão de Lula será observada de perto por governos, organismos internacionais e analistas de política externa, por representar não apenas uma escolha pontual, mas um sinal sobre o papel que o Brasil pretende desempenhar no redesenho da governança internacional no pós-guerra em Gaza.



