Primeiro-ministro israelense rejeitou Estado Palestino e negou causar fome em Gaza. Delegação brasileira se retirou do plenário usando lenços palestinos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira (26) na Assembleia Geral da ONU que seu país seguirá atacando Gaza até “terminar o trabalho” no território palestino. A maioria das comitivas se retirou do plenário antes do discurso como protesto.
Em fala desafiadora de mais de 40 minutos, Netanyahu criticou a pressão internacional sobre Israel, rejeitou um Estado Palestino, negou que seu Exército esteja matando civis ou causando fome em Gaza e afirmou estar “lutando uma batalha” pelo Ocidente.
Netanyahu entrou sob vaias e mostrou mapa do Oriente Médio riscando áreas onde disse ter combatido ameaças, referindo-se à guerra contra o Hezbollah no Líbano, ataques ao Irã e incursões no Iêmen e Síria.
“Nós incapacitamos o Hezbollah, derrubamos milhares de terroristas na Síria e no Iêmen. Também devastamos as armas atômicas do Irã”, disse. “Lembram dos pagers? Eles entenderam a mensagem.”
Permaneceram no plenário apenas delegações de Estados Unidos, Reino Unido, Noruega, França, Itália, Espanha, Finlândia, Suíça e União Europeia.
Netanyahu criticou a “onda de reconhecimentos” do Estado Palestino por países ocidentais. “Dar um Estado à Palestina a um quilômetro de Israel é como dar um Estado à Al-Qaeda a um quilômetro de Nova York após 11 de setembro”, comparou.
A delegação brasileira se retirou trajando keffiyeh, lenços palestinos típicos, repetindo gesto do ano passado por determinação do Itamaraty.
Durante o discurso, milhares protestavam nas ruas de Nova York contra os ataques israelenses em Gaza, onde mais de 65 mil pessoas morreram desde outubro de 2023.


