A Polícia Federal abriu investigação sobre um despacho do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que exonerou o então secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Picciani, em uma data considerada estratégica: o mesmo dia em que o ex-deputado TH Joias foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro, compra de armas e ligação com chefes do Comando Vermelho.
Segundo a PF, a exoneração teria provocado uma mudança imediata na composição da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), já que a volta de Picciani ao mandato de deputado resultou na perda automática do mandato de TH Joias — impedindo, assim, que os parlamentares votassem sobre a manutenção da prisão do ex-deputado.
A manobra está no centro das apurações porque, ao retornar ao Legislativo, Picciani assumiu a cadeira ocupada por TH Joias, anulando a necessidade de deliberação da Alerj sobre a detenção do parlamentar, um procedimento previsto em casos de prisão de deputados estaduais.
Posicionamento do governo do Rio
O governo estadual afirmou que o retorno de Picciani ao cargo de deputado já estava programado para garantir apoio às votações de projetos de segurança pública em tramitação na Casa. A gestão de Castro nega qualquer relação entre a exoneração e a prisão de TH Joias.
A investigação segue em andamento, e a PF avalia se houve intenção de interferir no processo legislativo relacionado à prisão do ex-parlamentar — que é acusado de movimentações financeiras suspeitas, aquisição de armamentos e vínculos com lideranças do crime organizado.


