Depois que Alexandre de Moraes concedeu 90 dias de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, internautas correram para resgatar uma postagem antiga de Eduardo Bolsonaro atacando exatamente esse tipo de medida.
A concessão de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro por 90 dias, determinada por Alexandre de Moraes após a internação do ex-presidente por broncopneumonia, abriu uma frente previsível de repercussão política. Mas, nas redes, o que mais chamou atenção foi outra coisa: o resgate de um tuíte antigo de Eduardo Bolsonaro criticando duramente a existência de prisão domiciliar. A decisão de Moraes prevê que Bolsonaro cumpra o benefício em casa após a alta hospitalar, com tornozeleira eletrônica e uma série de restrições.
No post que voltou a circular, publicado em 24 de março de 2018, Eduardo escrevia: “Dá para levar a sério um país onde existe PRISÃO DOMICILIAR? O condenado é carcereiro dele mesmo!!!”. Na mesma mensagem, ele ainda dizia que a lei de execuções penais e o CPP precisavam ser revistos “urgentemente”. Bastou a notícia da domiciliar para Jair Bolsonaro se espalhar para que o print voltasse com força, agora acompanhado de comentários sobre ironia, incoerência e memória curta.
A decisão de Moraes foi tomada com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e tem caráter temporário. O STF informou que o prazo inicial é de 90 dias, contados a partir da alta médica, com reavaliação posterior. Entre as condições impostas estão uso de tornozeleira, restrição de visitas e proibição de uso de celular, redes sociais e manifestações públicas.
Foi justamente esse contraste que incendiou a reação online. Para muitos internautas, o problema não foi apenas o conteúdo do tuíte antigo, mas o fato de ele ter envelhecido mal justamente quando a prisão domiciliar passou a beneficiar o próprio pai do autor. Em outras palavras, a tese de que o condenado vira “carcereiro dele mesmo” pareceu bastante útil para Eduardo em 2018 e bem menos incômoda em 2026.
No campo político, a defesa de Bolsonaro tratou a decisão como medida humanitária diante do quadro de saúde. Já nas redes, o julgamento foi outro: o de que a internet, como sempre, não perde a chance de cobrar coerência quando a opinião antiga volta em forma de print.



