Os países da União Europeia (UE) aprovaram oficialmente o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do planeta. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Chipre, que atualmente preside o bloco europeu.
A decisão recebeu apoio da ampla maioria dos Estados-membros e marca o fim de mais de 25 anos de negociações. O texto ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor. A expectativa é que o Mercosul assine o tratado em 17 de janeiro de 2026.
Livre comércio e redução de tarifas
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da adoção de regras comuns em áreas como comércio agrícola e industrial, investimentos e padrões regulatórios. Estima-se que o entendimento eliminará 4 bilhões de euros em impostos sobre exportações da União Europeia a cada ano.
De acordo com a Comissão Europeia, o Mercosul deverá remover tarifas sobre cerca de 91% das exportações europeias em até 15 anos, enquanto a UE isentará 92% dos produtos vindos do bloco sul-americano. Há também previsão de ampliação de cotas agrícolas e medidas de sustentabilidade.
Reações dos países e resistência no campo agrícola
Embora a maioria dos países europeus tenha apoiado o pacto, França, Irlanda, Hungria, Polônia e Áustria votaram contra. A Bélgica optou pela abstenção. A oposição mais firme vem do setor agrícola francês, que teme a concorrência de produtos sul-americanos com padrões ambientais diferentes dos exigidos pela UE.
Mesmo com a resistência, o acordo avançou graças à mudança de posição da Itália, que passou a apoiar o texto após receber garantias de novos investimentos para o setor agrícola — incluindo o reforço de um fundo europeu de 45 bilhões de euros.
Impactos econômicos para o Mercosul e o Brasil
Para o Brasil, principal economia do Mercosul, o tratado representa acesso ampliado a um mercado de 451 milhões de consumidores e novas oportunidades em diferentes setores da indústria.
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, destacou que cerca de 30% das exportações brasileiras já têm como destino os países da UE. Segundo ele, o acordo “fortalece o comércio, atrai investimentos, amplia a competitividade e consolida o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e o combate às mudanças climáticas”.
Próximos passos
Com a aprovação pelo Conselho da União Europeia, o texto segue para avaliação no Parlamento Europeu, etapa final antes da assinatura oficial entre os blocos. Caso aprovado, o acordo UE-Mercosul se tornará o maior pacto comercial já firmado na história moderna, consolidando uma área econômica que representará quase um quarto do PIB global.


