Circula nas redes sociais um vídeo editado e descontextualizado que tenta imputar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma suposta fala desrespeitosa contra a deputada federal Erika Hilton, mulher trans. A narrativa, amplamente compartilhada por perfis de extrema direita, afirma que Lula teria se referido a Erika usando o pronome “ele”, como prova de uma suposta “contradição” do discurso identitário.
A informação, no entanto, é falsa.
Erika Hilton não estava presente no evento em que o vídeo foi gravado. A pessoa que aparece posicionada em frente ao presidente é, na verdade, a deputada estadual do Rio de Janeiro Elika Takimoto. A confusão não é um erro inocente: trata-se de uma construção deliberada para gerar indignação, engajamento e desinformação.
Estratégia recorrente de desinformação
O caso segue um padrão já conhecido. Um recorte isolado de vídeo é retirado do contexto, recebe uma legenda falsa e passa a circular acompanhado de um texto opinativo carregado de juízos morais, tentando transformar um fato inexistente em argumento político.
Nesse processo, pouco importa a verificação básica dos fatos. O objetivo não é informar, mas criar ruído, atacar pautas de direitos humanos e deslegitimar adversários políticos por meio da mentira.
O mais grave é que esse tipo de conteúdo não se restringe a perfis anônimos. Parlamentares e figuras públicas também participam da disseminação dessas narrativas, o que amplia o alcance da fake news e reforça a corrosão do debate público.
Fake news como método político
A tentativa de associar Lula a uma fala que ele não fez, direcionada a uma pessoa que sequer estava presente, revela o uso sistemático da desinformação como ferramenta política. Não há preocupação com a verdade factual, mas sim com a construção de uma narrativa conveniente, ainda que baseada em falsificação evidente.
Esse tipo de prática não apenas atinge pessoas específicas, como Erika Hilton, mas também enfraquece a confiança coletiva na informação, banaliza o debate político e normaliza a mentira como estratégia de disputa.
O que fica claro
– Erika Hilton não estava no evento
– Lula não se dirigiu a ela
– A pessoa citada no vídeo é a deputada Elika Takimoto
– A narrativa divulgada nas redes é falsa
O episódio reforça a necessidade de checagem básica antes do compartilhamento de conteúdos e expõe, mais uma vez, como a produção e disseminação de fake news — inclusive por agentes públicos — se tornou um problema estrutural da política brasileira.


