O Governo de São Paulo está mobilizado para enfrentar os casos de intoxicação por metanol decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas falsificadas. Desde a confirmação dos primeiros casos, em setembro, ações de saúde, segurança e fiscalização foram reforçadas em todo o estado, assim como a comunicação com a população, para alertar sobre os riscos e a situação real.
O gabinete de crise, instalado no dia 30 de setembro, intensificou as operações em bares, adegas e restaurantes, complementando o trabalho fiscalizador já em andamento.
“Não vamos tolerar o crime no nosso estado. Precisamos enfrentar isso de maneira estruturada, com coordenação entre todos os entes, incluindo governo federal, municípios e iniciativa privada, para que as pessoas possam consumir com segurança e comprovação de origem. O cidadão precisa saber que há um sistema funcionando”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
Fiscalizações e medidas imediatas
Agentes das secretarias estaduais de Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Comunicação e das vigilâncias sanitárias municipais, visitaram estabelecimentos investigados por envolvimento em casos de intoxicação.
As ações resultaram na interdição preventiva de 11 locais, com quase 20 mil garrafas apreendidas para análise. A Secretaria da Fazenda e Planejamento suspendeu preventivamente a inscrição estadual de seis distribuidoras e dois bares, totalizando oito estabelecimentos.
Atuação da Saúde
Com o aumento dos casos, os protocolos de atendimento foram reforçados. Em 30 de setembro, a Secretaria de Estado da Saúde emitiu alerta aos profissionais de saúde sobre o risco de intoxicação por metanol, orientando o uso de um protocolo padrão para pacientes com sintomas incomuns após o consumo de álcool.
Até esta terça-feira (7), 85 casos foram descartados, 18 confirmados e 3 óbitos registrados. As análises são realizadas no Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (Latof) da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, referência nacional no tema.
Para garantir resposta rápida, o Governo do Estado distribuiu 2.500 ampolas de álcool etílico absoluto à rede pública de saúde, assegurando o tratamento imediato de pacientes.
Ação das forças policiais
As polícias Civil e Científica intensificaram as operações contra a falsificação de bebidas, resultando em 21 prisões desde o início da crise — entre elas, a de um homem apontado como principal fornecedor de insumos para bebidas adulteradas no estado.
As autoridades confirmaram que não há envolvimento do crime organizado nem relação direta entre os casos. A Polícia Científica analisa o material apreendido para identificar e punir os responsáveis.
Os primeiros laudos periciais já foram encaminhados à Polícia Civil, que conduz as investigações. Detalhes permanecem sob sigilo para não comprometer as apurações.
Canais de denúncia e parceria com o setor privado
O gabinete de crise também reforçou os canais de denúncia. A população pode comunicar suspeitas de bebidas adulteradas pelos seguintes meios:
- Disque Denúncia 181 ou pelo site www.webdenuncia.sp.gov.br;
- Procon-SP: Disque 151 ou www.procon.sp.gov.br, com atalho especial para o tema.
- Além disso, o Governo do Estado estreitou o diálogo com o setor privado, realizando reuniões com a Apas, Abrasel, Fhoresp e entidades de fabricantes e distribuidores de bebidas.
- Na segunda-feira (6), o governador Tarcísio de Freitas anunciou um convênio com as principais distribuidoras para ampliar o combate à falsificação, prevendo:
- treinamento de agentes públicos e privados;
- campanhas educativas;
- canal direto de comunicação com comerciantes para entrega voluntária de mercadorias suspeitas.
- O Governo também solicitará à Justiça autorização para destruição de estoques apreendidos — bebidas sem procedência, adulteradas ou com selos falsos —, reforçando o compromisso com a segurança da população e do setor produtivo.
Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo


