Medicamento com tirzepatida já era aprovado para diabetes tipo 2. É o primeiro fármaco validado como terapia para apneia do sono no Brasil pela agência.
A Anvisa aprovou uso do Mounjaro para tratamento da apneia do sono em adultos com obesidade. A decisão foi assinada na última sexta-feira e publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União. O Mounjaro tem como princípio ativo tirzepatida e já era aprovado no país para tratamento da diabetes tipo 2. De acordo com Eli Lilly, fabricante do medicamento, é primeiro fármaco validado como terapia para apneia do sono no Brasil.
A apneia obstrutiva do sono é distúrbio caracterizado por episódios repetidos de respiração irregular devido ao bloqueio completo ou parcial das vias aéreas superiores. Os principais sintomas incluem ronco, despertar recorrente e sonolência diurna. A decisão da Anvisa baseou-se em estudos clínicos demonstrando eficácia da tirzepatida no tratamento da apneia do sono.
Pesquisa publicada em 2024 na revista científica New England Journal of Medicine comprovou que substância levou a redução significativa no número de interrupções respiratórias durante sono, melhorando qualidade de vida de milhões de pessoas afetadas. De acordo com farmacêutica, até 50% dos adultos em uso do medicamento deixaram de apresentar sintomas associados à apneia do sono.
Além de causar piora na qualidade do sono, apneia pode resultar em níveis reduzidos de oxigênio no sangue, frequentemente associado a maior risco de complicações cardiovasculares. Atualmente, tratamento mais comum é pressão contínua nas vias aéreas (CPAP), terapia utilizando máquina mantendo vias aéreas abertas durante sono evitando interrupções na respiração.
Com uso da tirzepatida, pesquisadores observaram que quantidade de interrupções no sono foi reduzida significativamente comparado aos voluntários recebendo placebo. Alguns pacientes tomando medicamento chegaram a ponto em que uso do CPAP pode não ser mais necessário. O uso da substância melhorou outros aspectos relacionados à apneia reduzindo fatores de risco de doenças cardiovasculares e peso corporal. Efeito colateral mais comum relatado foram problemas estomacais leves.


