Estudo revela ligação entre apneia obstrutiva e sangramento no cérebro. Risco dobra em casos moderados a graves. Pode levar a demência e AVC
Uma pesquisa recente publicada na revista JAMA Network Open revelou conexão significativa entre apneia obstrutiva do sono (AOS) e microhemorragias cerebrais. O estudo de oito anos acompanhou mais de 1.400 participantes e descobriu que adultos com apneia moderada a grave apresentam risco dobrado de desenvolver sangramento microvascular no cérebro comparados àqueles sem a condição.
Como A Apneia Afeta O Cérebro
A apneia obstrutiva do sono envolve colapso das vias aéreas superiores durante o sono, causando despertares frequentes e quedas nos níveis de oxigênio. Os pesquisadores constataram que essa flutuação crônica de oxigênio pode danificar os pequenos vasos sanguíneos cerebrais, levando a microhemorragias.
As microhemorragias cerebrais envolvem acúmulo crônico de certos produtos sanguíneos no cérebro. Essas hemorragias são associadas a maior risco de acidente vascular cerebral sintomático e demência, sendo mais comuns em idosos.
Os Resultados Do Estudo
Pesquisadores analisaram dados de participantes coreanos que completaram polissonografia (exame diagnóstico de distúrbios do sono) e ressonância magnética em três momentos diferentes, com acompanhamento de 8 anos.
No grupo com apneia moderada a grave, 7,25% dos participantes desenvolveram microhemorragias cerebrais aos 8 anos, comparado a apenas 3,33% no grupo sem apneia. Isso representa aproximadamente o dobro do risco.
Curiosamente, apneia leve não apresentou associação com aumento de risco de microhemorragias, sugerindo que severidade é fator determinante.
Mecanismos Por Trás Do Risco
O Dr. Timothy Barreiro, especialista em medicina pulmonar e do sono, destacou que a associação persistiu mesmo após ajustes rigorosos para fatores de risco vascular como hipertensão, diabetes e índice de massa corporal.
“Os mecanismos inerentes à apneia grave, como hipóxia noturna, estresse oxidativo e respostas inflamatórias, podem prejudicar diretamente o endotélio dos vasos sanguíneos cerebrais”, explicou Barreiro.
Implicações Clínicas
Os achados sugerem que tratar apneia obstrutiva do sono é importante não apenas para melhorar qualidade de sono, mas também para prevenir complicações cerebrais graves. O Dr. Chol Shin, autor do estudo, ressaltou: “Medidas preventivas para AOS e diagnóstico e tratamento precoce são necessários para prevenir chances de desenvolver microhemorragias cerebrais — precursoras de futuro derrame cerebral e demência”.
Limitações Do Estudo
Embora significativo, o estudo apresenta limitações: focou em população coreana, envolveu principalmente adultos de meia-idade e idosos, e utilizou método menos sensível para detectar microhemorragias. Pesquisas futuras em outras populações e grupos etários são necessárias para confirmar os achados.


