Células zumbis podem estar por trás do diabetes, revela estudo

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Pesquisa publica em Cell Metabolism mostra ligação entre envelhecimento celular e disfunção metabólica. Células p16+ prejudicam controle de glicose

Um novo estudo publicado na revista Cell Metabolism revelou que células envelhecidas comportando-se como “zumbis” podem estar por trás de disfunções metabólicas que prejudicam o controle da glicose no sangue e intensificam quadros de diabetes. A pesquisa associa o envelhecimento de células p16+, que compõem a parede dos vasos sanguíneos, a uma incapacidade de operar corretamente seus balanços energéticos.

Como As Células Zumbis Funcionam

As células p16+ envelhecidas não apenas deixam de executar suas funções normais, como também trabalham contra o próprio metabolismo do corpo. Ao envelhecer, essas células endoteliais tornam-se “zumbificadas”, gerando uma reação inflamatória em cadeia que reduz a tolerância à glicose.

Os pesquisadores descobriram que essas células zumbificadas liberam moléculas inflamatórias conhecidas como SASP (Senescence-Associated Secretory Phenotype). Este conjunto de sinais altera a absorção de glicose e gordura por tecidos, fazendo com que órgãos deixem de metabolizar nutrientes de forma eficiente.

Evidências Do Estudo

A pesquisa foi conduzida com camundongos alimentados com dieta rica em gordura. Os resultados indicaram ligação clara entre envelhecimento vascular e piora metabólica: animais com células mais velhas apresentaram maior aumento de peso.

Para confirmar os achados, pesquisadores induziram limpeza dessas células mortas, observando redução de marcadores inflamatórios e de níveis de açúcar no sangue. A melhora metabólica após remoção das células zumbis confirmou sua culpabilidade.

Teste De Transplante

Em experimento adicional, animais magros e saudáveis receberam transplante de células endoteliais “zumbis”. O procedimento elevou a glicose no sangue e desencadeou sinais de resistência metabólica mesmo em organismos que inicialmente apresentavam metabolismo normal.

Este resultado demonstra que as células envelhecidas são suficientes para danificar o metabolismo mesmo em indivíduos saudáveis, evidenciando poder prejudicial dessas células.

Efeito Cascata No Organismo

A inflamação resultante da liberação de SASP gera efeito cascata: tecidos afetados perdem capacidade de responder a variações de glicose. Essa desregulação pode prejudicar significativamente pacientes que tenham diabetes ou pré-diabetes.

Os dados revelam como o risco metabólico avança com a idade, sugerindo que envelhecimento celular progressivo contribui para deterioração da tolerância à glicose ao longo dos anos.

Implicações Futuras

A descoberta abre novas possibilidades terapêuticas para diabetes e outras disfunções metabólicas relacionadas ao envelhecimento, podendo fundamentar desenvolvimento de tratamentos baseados em limpeza ou reativação de células p16+ envelhecidas.

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