Comer comida por delivery com frequência pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo

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Um novo estudo publicado na revista Food Science & Nutrition indica que o consumo frequente de comida por delivery ou retirada está associado a um maior risco de inflamação crônica de baixo grau, condição diretamente ligada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A pesquisa analisou dados de 8.556 pessoas ao longo de quase dez anos, com base no National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), levantamento nacional de saúde dos Estados Unidos realizado entre 2009 e 2018. Os pesquisadores cruzaram informações sobre hábitos alimentares, exames laboratoriais e indicadores metabólicos.

O foco foi o chamado Índice Inflamatório da Dieta (DII), que mede o potencial inflamatório dos alimentos consumidos. Quanto maior o índice, maior a tendência do organismo a desenvolver processos inflamatórios associados a problemas cardíacos.

Principais conclusões do estudo

A análise apontou três achados centrais:

  • Pessoas que consomem mais comida por delivery apresentam índices inflamatórios mais elevados, associados a maior risco de mortalidade;
  • O consumo frequente desse tipo de alimentação está ligado a um perfil cardiometabólico desfavorável, com HDL (colesterol “bom”) mais baixo e níveis mais altos de triglicerídeos, glicose, insulina e resistência à insulina;
  • Houve uma tendência de maior mortalidade entre quem consome mais delivery, embora o estudo não tenha encontrado uma associação estatisticamente conclusiva apenas entre delivery e mortes por doenças cardíacas.

Por que a comida por delivery pesa no coração

Segundo especialistas, o problema não está em um único ingrediente, mas no conjunto. Alimentos vendidos prontos costumam ter excesso de sódio, gorduras saturadas ou trans, carboidratos refinados e açúcares adicionados. Além disso, muitos restaurantes reutilizam óleos, o que gera gorduras oxidadas que favorecem o entupimento das artérias.

Outro fator é o tamanho das porções, geralmente maior do que o necessário, contribuindo para ganho de peso e aumento da pressão arterial. O estudo também observou que mulheres tendem a apresentar maior resposta negativa em relação à glicose e à resistência à insulina quando consomem esse tipo de refeição com frequência.

Delivery e estilo de vida acelerado

Especialistas apontam que o uso recorrente de comida pronta reflete pressões do cotidiano moderno: jornadas longas, pouco tempo para cozinhar, cansaço e rotinas irregulares de sono. Esse conjunto de fatores acaba agravando riscos cardiovasculares, mesmo quando o impacto não é percebido de imediato.

“Não é apenas a comida em si, mas o estilo de vida que se forma ao redor dela”, destacam nutricionistas. A combinação de sedentarismo, alimentação ultraprocessada e falta de descanso cria um ambiente propício à inflamação crônica.

Como reduzir os riscos sem abandonar totalmente o delivery

Os especialistas reforçam que não é preciso eliminar completamente a comida por delivery, mas sim fazer escolhas mais conscientes. Algumas estratégias incluem:

  • Preferir alimentos grelhados em vez de fritos;
  • Substituir batatas fritas por legumes ou saladas;
  • Optar por água ou bebidas sem açúcar;
  • Reduzir porções de massas e arroz refinado;
  • Complementar a refeição com frutas, verduras, castanhas e alimentos ricos em ômega-3.

Além disso, padrões alimentares como a dieta mediterrânea, a DASH e abordagens mais vegetais são apontados como caminhos eficazes para reduzir inflamação e proteger o coração, mesmo quando adaptados à rotina corrida.

Outro ponto destacado é que refeições feitas em casa costumam ter menos sódio, mais fibras, melhor equilíbrio de gorduras e maior controle das porções — fatores decisivos para a saúde cardiovascular.

Pequenas mudanças fazem diferença

A principal mensagem do estudo é clara: o consumo frequente de comida por delivery, quando se torna regra, pode contribuir para inflamação, alterações metabólicas e maior risco cardíaco ao longo do tempo. No entanto, ajustes graduais, escolhas mais equilibradas e a inclusão de alimentos naturais na rotina já são suficientes para reduzir significativamente esses riscos.

Mais do que perfeição, os especialistas defendem consistência e consciência alimentar como aliados da saúde do coração.

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