A morte de um hóspede de 37 anos após se engasgar com melancia durante uma gincana recreativa em um resort de São Pedro, no interior de São Paulo, escancara a falta de critério, bom senso e responsabilidade na organização de atividades ditas “de lazer”. A dinâmica, chamada de “Boca de Melancia”, premiava quem conseguisse comer um pedaço da fruta mais rápido, uma ideia tão banal quanto perigosa, especialmente quando aplicada a adultos em ambiente coletivo, sem qualquer controle de risco ou preparo adequado para emergências graves.
Segundo relatos registrados em boletim de ocorrência, a vítima participou da atividade prevista na programação oficial do resort e, poucos instantes após o início da gincana, acabou se engasgando. Testemunhas afirmam que houve desespero no local, com pedidos de ajuda para quem soubesse realizar a manobra de desengasgo, o que por si só já evidencia a ausência de profissionais preparados para lidar com uma situação previsível em uma atividade desse tipo. A chegada do socorro especializado teria ocorrido cerca de meia hora depois, tempo crítico em casos de asfixia.
O hóspede foi encaminhado ainda com vida à Unidade de Pronto Atendimento de Águas de São Pedro, mas morreu pouco depois. A causa registrada foi asfixia por obstrução das vias aéreas superiores por corpo estranho. O caso foi formalmente classificado como morte suspeita, e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal para exames complementares. Até o momento, não há confirmação se haverá investigação específica sobre a responsabilidade do resort na organização da atividade.
Em nota, o estabelecimento afirmou que o hóspede sofreu um “mal súbito” durante uma atividade recreativa coletiva e que todos os protocolos de emergência foram acionados. No entanto, a tentativa de suavizar o episódio ignora o ponto central do caso: a decisão absurda de promover uma competição baseada em comer rapidamente um alimento, algo amplamente conhecido como fator de risco para engasgos, especialmente sem supervisão técnica adequada, sem profissionais treinados em número suficiente e sem estrutura de resposta imediata.
O episódio levanta questionamentos sérios sobre os limites das atividades recreativas em resorts e hotéis, que frequentemente apelam para dinâmicas infantis ou sensacionalistas sem qualquer análise de segurança. Não se trata de um acidente imprevisível, mas de uma consequência direta de uma iniciativa mal pensada, que transforma hóspedes em participantes de brincadeiras perigosas em nome de entretenimento barato. A tragédia expõe uma falha grave de gestão e reforça a necessidade de responsabilização, revisão de protocolos e, sobretudo, respeito à vida.


