Pesquisadores do MIT usam algoritmos para projetar 36 milhões de compostos químicos. Processo que levava anos agora é feito em dias
A resistência bacteriana aos antibióticos está encontrando um poderoso aliado na Inteligência Artificial. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) utilizam algoritmos para acelerar drasticamente o desenvolvimento de medicamentos contra superbactérias.
Sem novos medicamentos eficazes, infecções por superbactérias podem levar à morte de 10 milhões de pessoas por ano até 2050, segundo a ONU – número que superaria mortes por câncer.
O caso de Alexis Williams, de 23 anos, ilustra a ameaça real. Após corte na perna durante banho de piscina em hotel, ela foi infectada pela bactéria MRSA (Staphylococcus aureus), resistente ao antibiótico meticilina. A jovem ainda depende de ajuda para locomoção.
No MIT, pesquisadores recebem bactérias resistentes do Centro de Controle de Doenças dos EUA. Usam compostos químicos e enviam todos os resultados para computador, onde a IA analisa os dados.
A tecnologia permitiu projetar mais de 36 milhões de compostos possíveis, testando propriedades antimicrobianas de 24 milhões. Antes da IA, criar uma molécula levava até dois anos; agora acontece em dias.
O laboratório emprega dois sistemas: algoritmos direcionados para substâncias baseadas em fragmentos antimicrobianos conhecidos, e sistemas autônomos que geram moléculas independentemente.
As substâncias mais promissoras passarão por otimização e testes clínicos em humanos. A tecnologia pode inaugurar uma segunda era de ouro dos antibióticos, quase cem anos após Alexander Fleming descobrir a penicilina em 1928.


