Nos dias atuais é muito comum ouvirmos falar da palavra inovação, como sinônimo de novidade, de ineditismo, em especial no desenvolvimento de produtos e serviços pelas grandes empresas. Mas e se pudéssemos utilizar isso para construir um mundo melhor? “Modinha”? Utopia? Será? Vamos descobrir nessas próximas linhas o que isso significa e como cada um de nós está inserido neste contexto.
O primeiro ponto que precisamos discutir sobre o tema inovação é o que isso significa exatamente. Inovação está ligada ao desenvolvimento de novas ideias, estratégias e conceitos que se materializam por meio de produtos e serviços destinados a atender às diversas demandas da sociedade.
Diferente do que costumamos ver nos desenhos animados e na ficção, onde vemos muito a popularização daquela clássica imagem da lâmpada que se acende quanto alguém tem uma grande ideia, a inovação efetiva está ligada a um processo sistêmico e sistemático, onde o objetivo é obter a solução para determinados problemas ou para a geração de novas oportunidades e maior competitividade. A inovação ainda é dividida em disruptiva ou radical, que é aquela capaz de transformar completamente algo, como a energia elétrica, por exemplo; e temos a inovação incremental, que é aquela que acrescenta pequenas modificações a algo visando melhorias pontuais.
Já quando trazemos a inovação para o plano da sociedade, o conceito consiste no desenvolvimento de estratégias, organizações, modelos de negócio e outros artifícios, além de uma ótica diversa do status quo, visando alcançar soluções para os inúmeros e quase infinitos de ordem social que temos no mundo.
A inovação social é vista como um conceito de extrema relevância e utilidade para o enfrentamento às pressões de ordem social, ambiental e econômica mundo afora e além de produtos e serviços, pode ser materializada ainda sob a forma de leis e políticas públicas e no empreendedorismo de impacto.
A partir da inovação social temos um campo bastante vasto para o desenvolvimento de inúmeras soluções para os também inúmeros desafios da humanidade, incluindo o equilíbrio e coexistência equilibrada com a Natureza. Para que a inovação social de fato aconteça e gere resultados sustentáveis (duradouros), se faz necessária a articulação efetiva entre os Quatro Atores Sociais:
Sociedade Civil: as pessoas como cidadãos e organizações civis, como ONGs;
Poder Público: o governo nas suas esferas federal, estadual e municipal;
Iniciativa Privada: são as empresas que existem com finalidade de lucro;
Academia: são as instituições de ensino dedicadas à geração de conhecimento.
Quando estes quatro atores agem coletivamente, de maneira coordenada e tendo como finalidade, o ambiente para o florescimento da inovação social encontra campo fértil. Estratégias como a concessão de microcrédito por parte de instituições bancárias a empreendedores com soluções destinadas, por exemplo, à redução do lixo em zonas de periferia, que por sua vez recebem capacitação técnica e gerencial por parte de instituições de ensino, ao mesmo tempo em que o governo cria uma forma ágil de registro de negócios sociais e tributação reduzida e simplificada são um exemplo claro de plena articulação entre os atores e um exemplo claro de inovação social, que vai gerar desenvolvimento para toda a sociedade e não só para uma fatia dela, como normalmente é a tônica, especialmente no mundo ainda em desenvolvimento.
Mais do que produtos, serviços, marcas e políticas públicas, a inovação social presume uma nova ótica, onde dificuldades se tornam oportunidades; barreiras são transpostas coletivamente; há maior integração entre todas as partes da sociedade e problemas como a desigualdade, a fome, o aquecimento global e tantos outros desafios de nossa era vão sendo discutidos e solucionados coletivamente.
Para encerrar essa minha primeira aparição aqui no Portal de Informações, convido então os estimados leitores a fazer um pequeno exercício focado em inovação social. Dê uma olhada aí da sua janela ou da porta para fora da sua casa e identifique os três problemas que mais incomodam você. Pode ser a falta de saneamento básico; o número limitado de espaços de lazer no seu bairro; a falta de segurança pública, enfim. Adapte à realidade de onde você mora e imagine quais ações poderiam ser tomadas pelos atores sociais que já falamos aqui para transformar dificuldades em oportunidades, de forma a melhorar a vida para o coletivo e aí você tem o espírito da inovação social.
Espero que tenha gostado desse primeiro bate-papo e no nosso próximo cochicho eu vou trazer exemplos reais de inovação social, com foco no Okavango Hub e no meu próximo livro, que envereda bastante por esta seara. Curtiu hoje? Sim ou claro? Então compartilhe esse conteúdo com a sua rede e acompanhe meus canais de contato para saber o que estou aprontando por aí mundo afora.
Instagram: @alexandre_hashimotoofc
LinkedIn: linkedin.com/in/alexandrehashimoto



