Desde o final do século XIX, quando os irmãos Lumière exibiram pela primeira vez suas curtas-metragens em Paris, a maneira como assistimos filmes passou por uma transformação profunda. Naquele momento, em 1895, o cinema era uma experiência coletiva e única: projeções curtas, silenciosas e em preto e branco, feitas para um público que se reunia em salas escuras para presenciar a novidade tecnológica. O encantamento estava no próprio ato de ver imagens em movimento.
Com o avanço da tecnologia, especialmente a partir da década de 1920, surgiram os filmes sonoros, mudando para sempre a relação do público com o cinema. As salas se tornaram cada vez mais populares, e assistir a um filme era um evento social, muitas vezes ligado ao glamour de Hollywood. Durante as décadas seguintes, o ritual de ir ao cinema consolidou-se como parte importante do entretenimento cultural, com sessões cheias, lançamentos aguardados e o nascimento de grandes clássicos.
A grande virada começou na segunda metade do século XX com a chegada da televisão. Pela primeira vez, o espectador pôde levar o cinema para dentro de casa. Embora inicialmente vista como ameaça às salas, a TV acabou se tornando complementar, oferecendo filmes antigos e estreias exclusivas. Nas décadas de 1980 e 1990, o videocassete e, posteriormente, o DVD ampliaram essa autonomia, permitindo que o público escolhesse o que assistir, quando assistir e quantas vezes quisesse.
No início dos anos 2000, com a popularização da internet, a experiência passou por outra revolução. O streaming transformou radicalmente a forma de consumir cinema: plataformas como Netflix, Prime Video e Disney+ tornaram o acesso quase ilimitado, democratizando conteúdos e permitindo assistir a filmes em qualquer lugar, a qualquer hora, de diferentes dispositivos. Essa mudança não apenas alterou hábitos, mas também impactou a própria indústria, que passou a produzir obras diretamente para o consumo digital.
Hoje, vivemos um momento híbrido. As salas de cinema continuam relevantes, principalmente para grandes estreias e experiências imersivas, como produções em 3D e IMAX, mas o consumo doméstico domina. O espectador moderno tem o poder de escolher entre uma diversidade de opções que os pioneiros do cinema jamais imaginaram.
Essa trajetória mostra que, embora os formatos mudem, o fascínio pelas histórias contadas na tela permanece o mesmo. Do projetor à nuvem, do silêncio às trilhas sonoras envolventes, a essência do cinema continua sendo a mesma: provocar emoções, conectar pessoas e transformar a forma como enxergamos o mundo.


