O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou um pacote de R$ 2 bilhões em incentivos para a indústria química brasileira, em um momento de forte retração do setor — especialmente no Polo Industrial de Cubatão, que vem registrando fechamento de fábricas e perda de empregos ao longo dos últimos anos.
Os recursos serão viabilizados por meio de uma Medida Provisória que deverá ser assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. O anúncio ocorreu durante uma reunião em Brasília com representantes da indústria química, parlamentares e autoridades de Cubatão.
Segundo Alckmin, o Regime Especial da Indústria Química (REIC), que já contava com R$ 1 bilhão no orçamento deste ano, passará a ter R$ 3 bilhões. A medida busca ampliar a competitividade do setor, estimular investimentos e preservar postos de trabalho em uma das áreas mais estratégicas da economia nacional.
Representantes dos trabalhadores apontam que o Polo Industrial de Cubatão perdeu cerca de 7 mil empregos nas últimas duas décadas e meia. Apenas no último ano, empresas encerraram operações e desativaram unidades internas, aprofundando o cenário de crise.
A nova política de incentivo recompõe parte da renúncia fiscal prevista para 2026 e exige como contrapartida a manutenção dos empregos e o reinvestimento produtivo por parte das indústrias que aderirem ao programa.
Além disso, o governo federal informou que intensificou ações contra o chamado dumping comercial — prática em que produtos importados entram no país abaixo do preço de custo —, com dezenas de processos de defesa comercial em andamento para proteger a indústria nacional.
Entre as empresas impactadas recentemente na região estão a Yara Brasil, que paralisou parte da produção em Cubatão, a Unigel, que anunciou o encerramento de atividades na cidade, e a Olin Corporation, que decidiu interromper operações no Guarujá.
O pacote anunciado pelo governo é visto como uma tentativa de conter o avanço da desindustrialização na Baixada Santista e criar condições para a retomada do crescimento do setor químico, considerado essencial para diversas cadeias produtivas do país.


