Levar uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para cortar o cabelo pode ser um grande desafio para muitas famílias. Na barbearia do “Tio Emerson”, no bairro Gonzaga, em Santos, a proposta é transformar o momento em acolhimento e respeito às individualidades. Na quarta-feira (25), o espaço recebeu a placa Empresa Acessível, passando a integrar o grupo de mais de 40 estabelecimentos reconhecidos pelo programa Santos Acessível.
O atendimento começa ainda pelo WhatsApp, quando a equipe conversa com as famílias para entender os gatilhos sensoriais e as necessidades específicas de cada cliente. O local conta com acessibilidade física, como portas adequadas para cadeiras de rodas, plataforma elevatória no edifício e espelho inclinado, permitindo que o usuário acompanhe o próprio corte.
Voltado principalmente a crianças e jovens com TEA, pessoas com deficiência intelectual e mobilidade reduzida, o espaço foi planejado para reduzir estímulos excessivos. Controle de iluminação, cores suaves nas paredes e estratégias de distração ajudam a minimizar desconfortos. Balões, máscaras e camisetas de super-heróis tornam a experiência lúdica.
“Criei um método baseado no atendimento individualizado, adaptando cada corte às necessidades da criança. Comecei com horários específicos e atendimentos curtos para ouvir as mães, reduzir estímulos e garantir conforto. Com o tempo, o método se expandiu e passou a ser indicado por terapeutas ocupacionais”, afirma Emerson Diniz, cabeleireiro há mais de 40 anos.
Compromisso com a inclusão
Para a secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, valorizar iniciativas como essa é fundamental para ampliar a cultura da inclusão. “O selo não mede o tamanho da empresa, mas suas atitudes. São elas que fazem a diferença”, destacou.
A placa do programa é composta por cinco estrelas, que representam diferentes tipos de acessibilidade: física, mental ou intelectual, auditiva, visual e psicossocial (autismo). A barbearia recebeu três estrelas: física, psicossocial e intelectual.
Segundo a coordenadora de Políticas para a Pessoa com Deficiência (Codep), Cristiane Zamari, o trabalho não termina com a entrega da placa. O programa realiza visitas periódicas para verificar a manutenção das condições e orientar possíveis avanços.
Empresas interessadas em obter o selo podem se inscrever pelo site da Prefeitura de Santos, preencher questionário sobre acessibilidade e receber visita técnica para avaliação e orientações.


