Os canais de Santos, um dos marcos urbanos mais tradicionais da cidade, entraram no centro de uma nova disputa política e patrimonial. Um requerimento apresentado pelo vereador Alisson Sales (PL) propõe discutir o destombamento das estruturas para permitir obras de modernização, com foco no combate às enchentes e no avanço do assoreamento na orla. A proposta seria votada nesta terça-feira (24) na Câmara.
Segundo a justificativa do parlamentar, o tombamento hoje dificulta intervenções consideradas necessárias para adaptar os canais à realidade atual da cidade, como o aumento das muretas de proteção e alterações nas saídas de drenagem. Para ele, a configuração original já não responde da mesma forma ao aumento do nível do mar, ao aprofundamento do canal do Porto e ao acúmulo constante de areia, que gera gastos recorrentes com limpeza e retirada de sedimentos.
A proposta também levanta a possibilidade de um destombamento temporário, apenas pelo período necessário para a execução de obras de infraestrutura. A ideia, segundo o texto, é ouvir o prefeito Rogério Santos e as secretarias técnicas sobre a viabilidade de rever a proteção patrimonial para destravar projetos de modernização.
O debate, porém, promete resistência. Os canais foram tombados pelo Condephaat em 2006 e pelo Condepasa em 2007, o que garante proteção não só à função de drenagem idealizada por Saturnino de Brito, mas também ao valor histórico, paisagístico e cultural dessas estruturas para a identidade santista. Qualquer tentativa de flexibilização tende a esbarrar justamente no peso simbólico e patrimonial do sistema.
No fundo, a discussão coloca Santos diante de um dilema cada vez mais sensível: preservar intacto um patrimônio histórico ou abrir espaço para mudanças estruturais em nome da adaptação urbana e da prevenção de problemas que continuam afetando a cidade.


