Muitos livros já foram escritos sobre Pelé — e outros tantos ainda virão —, mas poucos terão a intimidade e a cumplicidade de “Pelé, o legado desconhecido”, nova obra de Pepito Fornos. Amigo, empresário e braço direito do Rei por décadas, ele decidiu compartilhar histórias inéditas vividas fora das quatro linhas. O lançamento ocorreu no Museu Pelé, em Santos.
Antes mesmo do horário marcado, e sob forte chuva, o espaço já estava lotado. Entre os presentes, ex-jogadores e amigos do Rei, como Manoel Maria, Abel e Negreiros, prestigiaram o evento, reforçando o respeito e a admiração construídos por Pepito ao longo de décadas de convivência com o maior jogador de todos os tempos.
Acompanhado da filha, a médica Laura Verde, o autor demonstrava emoção ao apresentar as histórias vividas ao lado de Edson Arantes do Nascimento. Segundo ele, o livro nasceu de um pedido da família.
“Eu não queria escrever, mas achei que era uma oportunidade para mostrar o Pelé fora do campo. Porque dentro do campo todo mundo conhece. E o meu objetivo mesmo é mostrar que ele era melhor fora do que dentro do campo”, afirmou, destacando que a seleção das histórias priorizou o lado humano do ídolo.
Pepito descreve o amigo como um homem generoso e humilde. “Um cara do bem, bom filho, bom pai, bom irmão, bom tio, bom primo. Muito caridoso. Fazia o bem para todo mundo e não era mascarado. Eu o defino como um ator: Edson é um ator que interpreta um personagem chamado Pelé, parte do tempo. Quando acende a luz e vem um repórter, ele é o Pelé. Por isso sempre se referia ao Pelé na terceira pessoa”, contou.
A relação extrapolou o campo profissional. Pepito tornou-se parte da família. A irmã do Rei, Maria Lucia Nascimento, fez questão de prestigiar o lançamento. “Era uma amizade sincera. O Pepito passou mais tempo com ele do que o Pelé comigo. Foi uma relação muito bonita. Ele é da família também”, afirmou.
O autor revelou ainda que tinha liberdade para dizer ao amigo o que poucos diziam. “Eu falava para ele: você vai ouvir de mim o que você precisa ouvir, não o que você gosta de ouvir.”
Memória preservada
Pepito também celebrou o fato de lançar a obra no Museu Pelé — projeto que ajudou a viabilizar. “Além de ser a casa dele, eu trabalhei muito para que o museu viesse para cá. Foi um trabalho longo, complexo, mas deu certo. A memória dele está toda aqui dentro. Aqui se respira o ar da camisa 10, que antes do Pelé era um número; agora virou símbolo.”
Entre as muitas histórias relatadas no livro, ele relembra um episódio curioso em Nova Iorque. Em uma ida ao cinema com Pelé e o filho Joshua, então com cerca de oito anos, uma senhora se aproximou e disse: “Eu conheço você. Você é brasileiro”. Pepito brincou: “É o Milton Nascimento”. E a mulher respondeu: “Exatamente!”.
Momentos como esse ajudam a compor o retrato íntimo de um homem que, para o mundo, foi rei — mas que, para os mais próximos, era simplesmente Edson.


