A Prefeitura de Santos deu um passo importante para modernizar a gestão de obras e serviços de engenharia ao adotar oficialmente o Building Information Modelling (BIM), ou Modelagem da Informação da Construção. A metodologia passa a integrar os processos municipais com foco em mais qualidade, controle, transparência e eficiência na execução das obras públicas.
Transformado em política pública permanente após virar lei no âmbito federal, o BIM deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica e passa a ser um novo modelo de gestão. A metodologia utiliza modelos digitais tridimensionais que concentram informações detalhadas sobre materiais, custos, prazos, etapas da obra e manutenção, permitindo que todos os projetos sejam integrados desde a concepção até a operação dos equipamentos públicos.
Na prática, o BIM possibilita que arquitetura, estruturas e instalações “conversem” entre si antes mesmo do início das obras, reduzindo falhas, retrabalhos e aditivos contratuais. O resultado esperado é mais previsibilidade, menos desperdício de recursos e maior eficiência no uso do dinheiro público.
Implantação integrada
A implementação da metodologia contará com a atuação direta da Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref), responsável pela zeladoria urbana, além da formação de um grupo técnico com participação de outras pastas municipais. A proposta é que o BIM seja aplicado ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos públicos, do planejamento à manutenção.
A adoção do BIM também fortalece a posição de Santos em políticas nacionais de governança. A Caixa Econômica Federal já considera o uso da metodologia como critério de avaliação para o Selo de Governança Sustentável, destacando a rastreabilidade e a transparência de cada etapa das obras. Atualmente, o município possui classificação safira, o segundo nível mais alto da certificação.
Mais transparência e controle
Segundo o controlador geral do Município, Mariano Gonçalves, a metodologia representa um avanço significativo na fiscalização e na prestação de contas. Com a extração automatizada de quantitativos, simulação de cenários e compatibilização prévia dos projetos, o BIM reduz desperdícios e reforça a responsabilidade fiscal.
Além disso, a rastreabilidade das informações ao longo de todo o processo — do projeto à manutenção — amplia a capacidade de controle interno e oferece mais clareza à sociedade sobre como os recursos públicos estão sendo aplicados, em consonância com os princípios da administração pública.



