Vai curtir uma praia: Justiça libera investigada por lavagem de dinheiro do PCC para passar Natal e Ano Novo em Santos

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A Justiça de São Paulo autorizou que Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa e investigada por lavagem de dinheiro e associação criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), passe as festas de Natal e Ano Novo com a família no litoral paulista.

A decisão permite que Karen permaneça entre os dias 20 de dezembro e 5 de janeiro na residência da mãe, localizada no bairro Boqueirão, em Santos, mesmo sendo investigada por atuar em um esquema milionário de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

Atualmente, ela cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, após ter a prisão revogada pela Justiça.

Liberação com base em “questões humanitárias”

A autorização foi concedida pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. O juiz Tiago Ducatti Lino Machado considerou argumentos apresentados pela defesa, que apontaram questões familiares e humanitárias, especialmente relacionadas ao filho menor de idade.

Segundo os advogados, a mãe de Karen é idosa e não teria condições físicas de viajar até São Paulo, o que tornaria o período de festas uma das poucas oportunidades de convivência familiar ao longo do ano.

Apesar da liberação, a Justiça determinou que todas as medidas cautelares continuem sendo cumpridas, incluindo:

  • Uso obrigatório da tornozeleira eletrônica
  • Permanência na residência durante o período noturno
  • Restrição de circulação aos finais de semana e feriados

O Ministério Público também entendeu que a autorização não compromete a instrução criminal.

Investigação envolve cifras milionárias

Karen foi presa em fevereiro de 2024, durante a Operação Verão, com mais de R$ 1 milhão em espécie e US$ 50 mil. As investigações apontam que ela atuava como uma das principais responsáveis pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Baixada Santista, utilizando empresas em nome de terceiros para movimentar recursos ilícitos.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que uma empresa ligada a Karen teria movimentado mais de R$ 35 milhões.

Na época da prisão, o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que ela ocupava papel central no esquema financeiro da facção.

Ligação com a cúpula do PCC

Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Cabelo Duro, apontado como um dos principais líderes do PCC e executado em 2018. Ele também foi investigado por envolvimento em roubos a marinas de luxo e na morte de um policial militar.

A Polícia Civil apura ainda possíveis conexões dele com assassinatos de outros integrantes da facção, como Gegê do Mangue e Paca, mortos em emboscada no Ceará.

À época, a defesa de Karen afirmou que ela desconhecia o envolvimento do companheiro com o crime organizado. No entanto, segundo a polícia, ela já havia se relacionado anteriormente com outro integrante da facção, conhecido como Juan, executado em 2011.

Investigação segue em andamento

Mesmo com a liberação temporária para as festas de fim de ano, a investigação continua. No início deste mês, a Justiça determinou que a Polícia Civil realize novas diligências para aprofundar a apuração sobre a atuação de Karen no esquema de lavagem de dinheiro.

A decisão judicial deixa claro que a autorização é pontual, temporária e condicionada, mas reacende o debate sobre o uso de medidas cautelares em casos envolvendo organizações criminosas de alta periculosidade.

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