Assalto cinematográfico no litoral: ladrões usam jet ski para roubar casal em pleno mar de São Vicente

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Nem a água virou refúgio. Em uma cena que mais parece roteiro de filme — mas aconteceu à luz do dia — um casal foi assaltado dentro do mar por criminosos em uma moto aquática, durante um passeio de caiaque em São Vicente. O crime ocorreu a cerca de 100 metros da faixa de areia da Praia dos Milionários, diante de banhistas e crianças que brincavam na beira d’água.

As imagens, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, mostram a dupla se aproximando com precisão, cercando o caiaque e anunciando o roubo com frieza. O alvo: as alianças do casal, avaliadas em cerca de R$ 17 mil. Para intimidar, os criminosos chegaram a agredir uma das vítimas com o remo, atingindo cabeça e corpo — tudo em pleno mar.

A “inovação” do crime

O espanto não está apenas na violência, mas na sofisticação da abordagem. Segundo o relato da mulher, de 47 anos, os ladrões primeiro fingiram um acidente, jogando água no caiaque. Em seguida, gritaram para outra moto aquática: “É casal”. O aviso soou como senha. Logo depois, o assalto foi anunciado.

A dupla passou a circular o caiaque em movimentos rápidos, criando instabilidade e pânico. Quando um dos remos caiu na água, virou arma. O marido, de 53 anos, foi atingido na cabeça e saiu do mar tonto, com ferimentos. “Se ele desmaia aqui, morre afogado”, disse a vítima, descrevendo o terror do momento.

Após levarem as alianças, os criminosos ainda abandonaram os remos no mar e fugiram acelerando a moto aquática, como em uma cena final de filme de ação.

Impunidade à vista da praia

O casal recebeu ajuda de testemunhas ao sair da água. A sensação, porém, foi de abandono. A vítima procurou um policial da Operação Verão na praia e ouviu que “não havia o que fazer”. O boletim de ocorrência foi registrado, mas ninguém foi preso.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que, sem flagrante, a providência é o registro formal para subsidiar investigações e ações preventivas. A Prefeitura informou que houve fiscalização em marinas à noite, sem localizar embarcações no mar, e prometeu intensificar ações. A Capitania dos Portos de São Paulo disse não ter sido notificada oficialmente e lembrou que crimes são de competência da segurança pública.

Quando o mar deixa de ser seguro

O episódio escancara uma nova fronteira da criminalidade no litoral: o mar como palco de assaltos. A pergunta que fica é simples e inquietante: se até um passeio de caiaque virou risco, onde começa e termina a área segura?

A vítima resumiu o sentimento com precisão: impunidade. Enquanto isso, a cena cinematográfica do crime real segue rodando — agora, não nas telas, mas na memória de quem estava ali e de quem assiste ao vídeo com incredulidade.

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