Profissionais de saúde participaram, nesta quinta-feira (5), de uma capacitação sobre doação de órgãos e tecidos no Hospital do Vicentino, em São Vicente. A iniciativa teve como objetivo ampliar o conhecimento das equipes e fortalecer a rede de doação, especialmente no processo de captação de córneas.
A atividade foi realizada por meio de parceria entre a Prefeitura de São Vicente, a Secretaria da Saúde (Sesau) e a equipe da Seção de Captação e Transporte de Órgãos e Tecidos (SECAPT), vinculada ao município de Santos.
Durante o encontro, os participantes receberam orientações sobre o processo de doação de córneas e a importância de preparar as equipes para identificar potenciais doadores e conduzir o diálogo com familiares de forma acolhedora e respeitosa.
Entre os temas apresentados estiveram as etapas do processo de doação, a abordagem com familiares, o funcionamento do serviço de captação de córneas e os diferentes tipos de utilização do tecido — como os usos óptico, tectônico e lamelar. Também foram abordados o tempo em que o órgão pode permanecer fora do corpo mantendo condições adequadas para transplante e as contraindicações para a doação.
A chefe da SECAPT, Danielle Caliani Barbosa Machado, explicou que, apesar de ser um procedimento relativamente rápido, a doação de córneas exige preparo técnico e sensibilidade das equipes de saúde.
Segundo ela, os profissionais precisam estar atentos ao perfil do potencial doador, considerando fatores como idade e possíveis contraindicações. Além disso, é fundamental realizar uma abordagem cuidadosa com os familiares, apresentando a doação como uma oportunidade de ajudar pessoas que aguardam na fila por transplantes.
Danielle também destacou que o processo logístico é relativamente simples e pode ser realizado no próprio hospital, geralmente no centro cirúrgico. Entre as contraindicações absolutas para a doação estão casos de HIV, infecção generalizada (sepse) e idade inferior a dois anos ou superior a 75 anos.
Entre os participantes da capacitação, a técnica de enfermagem Ana Beatriz Ribeiro Nobre dos Santos destacou que a atividade ajudou a esclarecer dúvidas sobre o processo. Ela contou que não havia acompanhado anteriormente um procedimento completo de doação e aprendeu, por exemplo, sobre o tempo de armazenamento da córnea e os locais onde a captação pode ser realizada.
A técnica de enfermagem Ana Cristina dos Santos também ressaltou a importância de discutir o tema dentro do ambiente hospitalar. Para ela, iniciativas como essa ajudam a ampliar o conhecimento dos profissionais e a reduzir tabus que ainda existem em relação à doação de órgãos.
Já a enfermeira da Educação Permanente do hospital, Márcia Maria Costa Conte, afirmou que a capacitação fortalece a atuação das equipes e melhora a comunicação com os serviços responsáveis pela captação de tecidos. Segundo ela, o treinamento facilita a identificação de potenciais doadores e contribui para que mais vidas possam ser beneficiadas por transplantes.


