A Prefeitura de São Sebastião, por meio da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant’Anna (Fundass), vem fortalecendo as ações de preservação do patrimônio arqueológico no Museu do Bairro São Francisco, onde funciona a Instituição de Guarda e Pesquisa (IGP) — espaço estratégico dedicado à salvaguarda, gestão e conservação de acervos arqueológicos do município e de outras regiões do Estado de São Paulo.
A IGP é responsável pela guarda de materiais provenientes de 40 sítios arqueológicos localizados em São Sebastião, além de acervos oriundos de outros municípios paulistas, sob autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entre os materiais preservados estão vestígios encontrados durante grandes obras de infraestrutura, como o Contorno Sul e a Nova Tamoios, além de resultados de pesquisas arqueológicas realizadas em diferentes cidades do Estado.
Acervo preservado
Atualmente, a reserva técnica da IGP abriga 472 caixas com vestígios arqueológicos de diferentes períodos históricos, incluindo materiais pré-coloniais e coloniais, como cerâmicas, metais, vidros, porcelanas e outros artefatos fundamentais para a compreensão da ocupação humana no território.
O trabalho desenvolvido pela Instituição está diretamente ligado à própria história do município, que teve início há 523 anos, em 20 de janeiro de 1502, quando a caravela de Américo Vespúcio passou pelo Canal de São Sebastião e batizou a cidade com o nome do santo do dia. Ao longo dos séculos, a ocupação contínua do território fez com que obras de urbanização e infraestrutura revelassem vestígios arqueológicos hoje protegidos por legislação federal.
Reorganização e adequação às normas
Recentemente, a Prefeitura, por meio da Fundass e da equipe da Casa do Patrimônio, promoveu uma ampla reorganização da Instituição de Guarda e Pesquisa, adequando o espaço às diretrizes da Portaria Iphan nº 271/2025, que regulamenta as IGPs em todo o país.
As melhorias incluíram a substituição das caixas de armazenamento, reorganização das prateleiras, higienização e separação dos materiais por sítio arqueológico, além da implantação de um novo padrão de identificação arquivística. As etiquetas técnicas agora reúnem códigos institucionais, identificação dos sítios e a localização exata das caixas, ampliando a segurança e facilitando o acesso ao acervo.
Além da reserva técnica, a IGP conta com laboratório de pesquisa, destinado a estudos técnicos e acadêmicos, e uma sala de reuniões, utilizada para atividades administrativas e articulação institucional.
“A Instituição de Guarda e Pesquisa da Fundass desempenha um papel essencial na conservação desses bens, garantindo que os vestígios do passado permaneçam protegidos, organizados e disponíveis para pesquisa, educação patrimonial e produção de conhecimento, em benefício das atuais e futuras gerações”, destaca Cristiane Silva, técnica de arquivo da Fundass.
A iniciativa consolida São Sebastião como referência regional na proteção do patrimônio arqueológico, aliando preservação histórica, pesquisa científica e valorização cultural.


