A prefeita de Mongaguá participou, na quinta-feira (27/11), de uma apresentação da Neoenergia Elektro sobre o plano de reestruturação da linha de distribuição de alta tensão que conecta as subestações de Mongaguá e Peruíbe. O encontro ocorreu no Paço Municipal e foi conduzido pela Superintendência Regional da concessionária, com a presença do secretário de Governo.
A reunião marcou a retomada da interlocução entre Prefeitura e empresa, uma etapa considerada fundamental para garantir transparência e alinhamento em um projeto de grande impacto urbano. Segundo a Administração Municipal, gestões anteriores não registraram formalmente a instalação das primeiras torres — localizadas na Avenida Porto Alegre, no Centro — situação que levou o atual governo a notificar a concessionária em outubro.
O projeto apresentado prevê a instalação de torres ao longo de aproximadamente 10 quilômetros, seguindo majoritariamente o traçado paralelo à linha férrea, especialmente entre as avenidas São Paulo e Sorocabana. As obras demandarão intervenções urbanas, incluindo a supressão de áreas de vegetação. Em contrapartida, a Neoenergia propõe a implantação de uma ciclovia em todo o trecho e a modernização da iluminação pública, que passará a contar com lâmpadas de LED.
A prefeita destacou que o plano tem potencial para melhorar a infraestrutura energética, mas trará reflexos significativos na organização urbana e na rotina das comunidades próximas ao traçado. Agora integrada oficialmente ao debate, a Prefeitura pretende avaliar o projeto com suas equipes técnicas para propor ajustes e garantir que o plano respeite o planejamento municipal.
“Precisamos garantir que o impacto desses equipamentos se restrinja ao aspecto visual, sem provocar riscos à segurança, ao meio ambiente ou à saúde da população. Nessa revisão necessária, também devemos pensar em espaços de convivência e humanização, além da ciclovia proposta. Podemos considerar ainda a criação de bolsões de estacionamento”, afirmou.
Uma nova rodada de reuniões está prevista para a primeira quinzena de dezembro, quando a Neoenergia reapresentará o projeto usando recursos de realidade aumentada e detalhará os pontos de intervenção. A Prefeitura, após análise técnica, apresentará suas propostas e contrapropostas. A partir desse diálogo, será definido se a instalação das novas torres seguirá ou não adiante.
Negociação paralela com o Governo Federal
A Prefeitura segue em tratativas com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para obter a cessão dos 13 quilômetros da área da linha férrea. A posse do trecho permitirá avançar em projetos de requalificação do espaço e oferecer mais alternativas à Neoenergia para o reposicionamento das torres, otimizando o uso do território urbano.
Mongaguá também aprovou recentemente uma legislação que restringe a instalação de torres na zona urbana, priorizando a proteção da qualidade de vida da população e o ordenamento territorial. Entretanto, para exercer maior influência na revisão do projeto — aprovado pela ANEEL — a Prefeitura precisa assumir formalmente a tutela da área ferroviária.


