USP desenvolve e-metanol capturando carbono de usinas de etanol. Repsol testa gasolina e diesel renováveis em Campinas com investimento de R$ 20 milhões.
Pesquisadores brasileiros desenvolvem tecnologias convertendo dióxido de carbono em combustíveis sustentáveis mediante hidrogenação catalítica. O Instituto de Química da USP, através do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa, parceria FAPESP-Shell, produz e-metanol capturando CO2 de fermentação de cana-de-açúcar em usinas etanólicas para propulsão naval.
A equipe desenvolveu catalisador com óxidos de titânio e rênio convertendo 18% de CO2 em produtos a 200°C com 98% de seletividade para metanol, patenteado após doutorado de Maitê Lippel Gothe. Planta-piloto prevista para 2026 na Cidade Universitária gerará três litros diários, precedendo demonstração industrial capaz de produzir 100 mil toneladas anuais. O Brasil emite 28 milhões de toneladas de CO2 produzindo 37 bilhões de litros etanólicos anualmente, suficiente para um terço da produção mundial de metanol.
Paralelamente, o projeto CO2CHEM da Repsol Sinopec com Hytron opera unidade-piloto em Campinas desde março produzindo até 20 litros diários de gasolina e diesel renováveis mediante eletrólise aquática e captura DAC atmosférica. A dinamarquesa European Energy inaugurou em maio primeira fábrica mundial em Kasso produzindo 42 milhões de toneladas anuais abastecendo navios Maersk.
Transição energética: setor marítimo, responsável por 3% das emissões globais, estabeleceu meta de zerar emissões líquidas até 2050 mediante regulamentação IMO prevendo multas progressivas desde 2028.


