O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nesta sexta-feira (6) o balanço das operações Mulher Segura e Alerta Lilás, iniciativas que fazem parte do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. As ações resultaram na prisão de 5.238 pessoas e no cumprimento de 302 mandados relacionados a crimes de violência contra a mulher.
De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o resultado foi possível graças à integração entre forças de segurança federais, civis e militares. Segundo ele, o combate ao feminicídio seguirá como prioridade permanente, com troca de informações entre bancos de dados, além de ações de prevenção, acolhimento e repressão.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o enfrentamento à violência contra mulheres tem sido tratado como tema prioritário pelo governo federal. Para ela, os números refletem a maior mobilização já realizada pelo governo contra o feminicídio, com iniciativas voltadas à prevenção, proteção às vítimas e responsabilização de agressores.
Durante o anúncio do balanço, a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, informou que o governo pretende investir R$ 5 milhões nos próximos meses para desenvolver uma tecnologia de monitoramento voltada a mulheres em situação de risco. A ferramenta deverá funcionar como um “botão de risco”, permitindo que vítimas com medidas protetivas acionem rapidamente as autoridades em caso de ameaça.
Sheila também destacou outras iniciativas em andamento, como a criação das Salas Lilás, voltadas principalmente a municípios com menos de 100 mil habitantes e maior incidência de crimes contra mulheres. Outro projeto citado envolve programas de reflexão e acompanhamento de agressores, que atualmente já atendem cerca de 2,7 mil homens.
A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, alertou que a violência contra mulheres também envolve crimes transnacionais, como exploração sexual e tráfico de pessoas. Segundo ela, o governo prepara um estudo para ampliar as estratégias de combate a essas práticas.
Operação Alerta Lilás
O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira, apresentou os resultados da Operação Alerta Lilás, considerada a maior iniciativa da corporação voltada à proteção de mulheres. Durante a operação, 27 agressores sexuais e três suspeitos de feminicídio foram capturados.
De acordo com Oliveira, parte das prisões foi possível a partir do cruzamento de dados de foragidos com informações sobre movimentação de veículos nas rodovias federais.
Dados das operações
Coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Operação Mulher Segura ocorreu entre 19 de fevereiro e 5 de março e registrou 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados judiciais.
Em apenas 15 dias, a operação mobilizou 38.564 agentes, 14.796 viaturas e alcançou 2.050 municípios. Durante o período, foram realizadas 42.339 diligências, além do acompanhamento de 18.002 medidas protetivas de urgência e atendimento a 24.337 vítimas.
Na área preventiva, foram promovidas 1.802 campanhas de conscientização, que atingiram cerca de 2,2 milhões de pessoas. Para reforçar a atuação nos estados, o Ministério da Justiça destinou aproximadamente R$ 2,6 milhões para o pagamento de diárias a policiais envolvidos nas ações.
Já a Polícia Rodoviária Federal, entre 9 de fevereiro e 5 de março, intensificou atividades de inteligência e fiscalização em todas as 27 unidades da Federação, resultando na prisão de 302 pessoas por crimes relacionados à violência contra mulheres.
Desse total, 119 prisões (39,4%) tiveram apoio direto da inteligência da PRF, enquanto 183 (60,6%) ocorreram em flagrante durante abordagens nas rodovias.


