Protesto na Vila: torcedores do Santos reagem a mudanças no estatuto e falam em “golpe”

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Centenas de santistas se reuniram em frente à Vila Belmiro durante votação no Conselho Deliberativo e contestaram emendas que, segundo opositores, podem influenciar o processo eleitoral do clube.

A noite na Vila Belmiro foi de tensão fora de campo. Centenas de integrantes da Torcida Jovem e outros torcedores do Santos protestaram em frente ao estádio durante o início da votação do novo estatuto do clube pelo Conselho Deliberativo. A movimentação teve presença de policiais militares e civis, além de palavras de ordem e bombas, em meio à insatisfação com mudanças que parte da torcida considera perigosas para o futuro político do Peixe.

O foco da revolta está em emendas consideradas polêmicas, que, segundo opositores da atual gestão, podem interferir diretamente no processo eleitoral do Santos. Entre os manifestantes, a leitura era dura: há quem veja nas alterações uma tentativa de concentração de poder e de fortalecimento da permanência da atual direção no comando do clube.

Gritos contra o Conselho e contra Marcelo Teixeira

Durante o protesto, os santistas puxaram cânticos mirando o Conselho e a gestão do presidente Marcelo Teixeira. Entre as frases entoadas estavam críticas diretas ao que chamaram de “mamata” e alertas de que a aprovação das mudanças poderia agravar ainda mais o clima no clube.

É aquele tipo de cenário que mostra que, no Santos, discutir estatuto nunca é só um debate burocrático. Quando a torcida entende que a regra do jogo pode mudar, a reação sai rápido do papel e vai para a rua.

Votação deve se arrastar

O processo está longe de terminar. Segundo a reportagem, os conselheiros analisam 89 emendas para 105 artigos do estatuto. Como a votação acontece uma a uma, o debate deve se estender por mais de um dia. Para que uma emenda avance no Conselho, basta maioria simples. Depois, o texto ainda precisará passar por Assembleia Geral, onde os sócios votarão o pacote em bloco. A aprovação final do novo estatuto exige dois terços dos votantes.

Ou seja: a guerra ainda não acabou. O que aconteceu diante da Vila foi só o lado mais visível de uma disputa que continua dentro das salas e dos votos.

Clube vive tensão política em meio à temporada

A coincidência de calendário pesa. Enquanto o time segue disputando a temporada, o clube vive mais um capítulo de turbulência institucional. E, no Santos, qualquer tema que encoste em eleição, Conselho e poder interno costuma ganhar rapidamente uma dimensão muito maior do que a da ata da reunião.

No fim, o protesto deixa claro que a discussão sobre o estatuto deixou de ser assunto só de conselheiro. Virou assunto de arquibancada — e isso sempre muda o tamanho da pressão.

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