Programa deve financiar compra e manutenção de veículos, além de capital de giro, com juros abaixo da Selic e prazo de até 72 meses.
O governo federal deve lançar um novo programa voltado aos motoristas de aplicativo, com uma linha de crédito que pode chegar a R$ 30 bilhões. A proposta, batizada de Move Aplicativos, prevê condições facilitadas para financiamento de veículos, manutenção da frota e acesso a capital de giro.
A iniciativa surge depois de o Planalto não conseguir avançar no Congresso com a regulamentação do trabalho por aplicativo. Sem acordo político para aprovar as regras do setor, o governo agora tenta responder por outro caminho: o do crédito subsidiado.
O que o programa deve oferecer
Pelo desenho que está sendo preparado, os motoristas poderão ter acesso a taxas de juros abaixo da Selic, carência de até seis meses e prazo de financiamento de até 72 meses. A linha também deve contemplar despesas com manutenção dos veículos e a criação de capital de giro, algo que dialoga diretamente com a rotina de quem depende do carro para trabalhar todos os dias.
Na prática, o governo tenta criar um pacote que alivie o custo de entrada e de permanência no setor, especialmente para quem roda muito e sente no bolso o peso de revisão, peça, combustível e renovação da frota.
Medida vem após derrota na regulamentação
A criação do Move Aplicativos também tem um pano de fundo político. Segundo a reportagem, o governo sofreu revés ao não conseguir aprovar no Congresso a regulamentação da atividade dos trabalhadores por aplicativo. O texto que tramita na Câmara não incorporou os principais pedidos da categoria, e o próprio Planalto já recebeu o sinal de que a proposta não deve ser votada neste ano.
Entre as reivindicações levantadas pelo setor estavam a elevação do piso de serviço para R$ 10, adicional por distância de R$ 2,50 por quilômetro rodado e pagamento integral de rotas agrupadas. Esses pontos foram compilados em grupo de trabalho criado no ano passado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, mas acabaram ficando fora do texto em discussão.
Crédito entra no pacote de estímulos do ano
O novo programa também se encaixa em um movimento maior de estímulo à economia em ano eleitoral. Segundo a reportagem, o governo já anunciou até aqui R$ 140 bilhões em novos projetos com esse perfil.
Isso ajuda a explicar por que a medida deve ganhar destaque: ela mistura agenda econômica, apelo social e diálogo com uma categoria numerosa, visível e cada vez mais presente nas grandes cidades.
Alívio real ou resposta parcial?
Para os motoristas, a proposta pode representar algum alívio, principalmente para quem precisa trocar de carro, financiar manutenção pesada ou ganhar fôlego de caixa. Ao mesmo tempo, o programa não resolve a discussão mais ampla sobre remuneração, direitos e regras de trabalho no setor.
No fim das contas, o governo parece admitir que não conseguiu organizar o mercado por meio da lei e agora tenta, pelo menos, oferecer uma resposta financeira. Resta saber se crédito mais barato vai ser suficiente para atender uma categoria que, há tempos, cobra mais do que só acesso a financiamento.


