A próxima temporada de cruzeiros no Brasil deve marcar uma retomada mais robusta do setor, com crescimento na oferta de leitos, ampliação do número de roteiros e reforço da presença de navios no Porto de Santos. O ciclo 2026/2027 contará com oito embarcações, uma a mais que na temporada anterior, e terá alta de 24% na oferta de leitos, além de 190 roteiros e 675 escalas ao longo da operação.
Do total de navios programados para atuar na costa brasileira, seis devem passar por Santos. Entre os destaques estão o MSC Virtuosa e o Buenavista, que farão sua estreia em águas brasileiras. A temporada começa em 31 de outubro, com a primeira escala do Buenavista, em Recife, e segue até 9 de abril de 2027. Além dos estreantes, a lista inclui Costa Diadema, Costa Serena, MSC Splendida, MSC Divina, MSC Musica e MSC Seaview. Apenas o Costa Serena e o MSC Splendida não devem atracar em Santos.
A operação terá participação de três armadores: MSC Cruzeiros, Costa Cruzeiros e a espanhola Corazul Cruzeiros, criada no ano passado e agora entrando oficialmente no mercado nacional. A presença da Corazul é um dos sinais de que o Brasil voltou a ganhar espaço no mapa sul-americano dos cruzeiros, em meio a um rearranjo internacional que favoreceu a vinda de mais navios para a região.
Outro movimento importante será a entrada de Paranaguá na lista de portos de embarque e desembarque de passageiros, ao lado de Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí e Balneário Camboriú. Os itinerários incluem destinos já tradicionais do turismo marítimo brasileiro, como Angra dos Reis, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela, Ilhéus, Porto Belo e Recife, além de conexões internacionais com Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.
O setor trata os números como sinal de recuperação após um período de retração, mas ainda evita comemoração definitiva. A avaliação é que o cenário melhorou, porém depende de fatores estruturais para se sustentar. Entre os entraves apontados estão infraestrutura portuária, custos operacionais, regulação e carga tributária, elementos que seguem pesando na competitividade do Brasil frente a outros mercados.
Em Santos, a expectativa agora se volta à confirmação oficial das escalas. O Concais, arrendatário do Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, informou que os armadores ainda devem fechar essa programação até o fim de junho. Até lá, o Porto de Santos continua no centro da articulação de uma temporada que promete ser maior, mas que ainda depende de ambiente mais competitivo para crescer de forma consistente nos próximos anos.


